10- Vasos Sanguíneos

Jade L. A. M. Padilha Silva1, Mércia Lima de Melo2

1Acadêmica em Fisioterapia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) 2Acadêmica em Licenciatura em Educação Física na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

O sistema cardiovascular corresponde aos vasos sanguíneos (série de tubos) e ao coração (bomba contrátil), responsáveis por transportarem o sangue para todo o corpo. Neste roteiro serão observados os vasos sanguíneos e, para complementar o estudo, o leitor pode acessar o canal Minto Anatômico bem como o roteiro de coração.

Circulação sanguínea. Fonte: TORTORA, 2016.

Quais são os vasos e quais as diferenças entre eles?

            Existem 3 tipos principais de vasos, são eles: as artérias – os vasos que saem ao coração, as veias – os que chegam ao coração; e os capilares – os que fazem a troca de nutrientes entre esses dois vasos. As artérias e veias são estruturadas por três túnicas em comum: adventícia, média e íntima; mas como as artérias transportam sangue sob alta pressão, possuem a túnica média mais espessa (devido à presença de um tecido elástico e a quantidade de tecido muscular liso), diferentemente das veias. Por essa razão, as veias possuem um lúmen interno maior e as paredes mais finas e distensíveis.

Estrutura do vaso sanguíneo. Fonte: MOORE, 2017.

Como são denominadas as artérias e veias?

            Por acompanharem, geralmente, umas às outras, as artérias e veias são nomeadas de acordo com a sua situação (a. braquial), direção (a. circunflexa da escápula), órgão irrigado/drenado (v. renal), peça óssea contígua (v. femoral), de modo que, na maioria das vezes, elas possuem o mesmo nome (por exemplo: artéria poplítea e veia poplítea). Convém lembrar que, ao decorrer deste roteiro, podemos abreviar artéria/artérias (a., aa.) e veia/veias (v., vv.).

SISTEMA ARTERIAL

As artérias são os vasos que, conforme se distanciam do coração, diminuem o seu calibre. De maneira geral, elas transportam um sangue vermelho-vivo sob alta pressão, o qual é rico em oxigênio (com exceção das artérias pulmonares). Todavia, no cadáver, as aa. têm coloração branco-amarelada.

Com relação a sua situação, elas podem estar localizadas superficialmente – com um calibre reduzido e distribuição irregular; ou profundamente – protegidas mais internamente e possuindo veias satélites (veias de mesmo trajeto, calibre e nome das artérias) as acompanhando. Além disso, as artérias principais emitem ramos terminais – quando seu tronco principal deixa de existir; e colaterais – quando seu tronco principal continua a existir.

Principais artérias do corpo. Fonte: TORTORA, 2016.

Emergindo do ventrículo esquerdo do coração, há a a. aorta, a maior artéria do corpo (2-3 cm de diâmetro) e que dá origem às outras. A aorta pode ser dividida em uma parte ascendente, um arco, a parte torácica e abdominal.

Da aorta ascendente emergem as artérias coronárias direita e esquerda, responsáveis pela vascularização do miocárdio e epicárdio. A a. coronária esquerda possui dois ramos, o circunflexo e o interventricular anterior; enquanto que a direita possui o ramo marginal direito e o ramo interventricular posterior.

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

O arco da aorta está direcionado para a esquerda e passa posteriormente ao coração. Dele saem o tronco braquiocefálico – que se ramifica nas artérias carótida comum direita e subclávia direita; a a. carótida comum esquerda e a a. subclávia esquerda. As aa. subclávias dirigem-se aos membros superiores, enquanto que as aa. carótidas comuns ascendem a fim de irrigar a cabeça e pescoço, contudo, adiante detalharemos cada uma.

A aorta descendente pode ser subdivida em parte torácica e abdominal. A parte torácica possui ramos viscerais pericárdicos, bronquiais, esofágicos e mediastinais, que irrigam as regiões de mesmo nome; e ramos parietais intercostais posteriores, subcostais e frênicas superiores, dos quais os dois primeiros irrigam os músculos intercostais e torácicos, e o último irriga a face posterossuperior do diafragma. Já a parte abdominal corresponde às aa. frênicas inferiores, que irrigam a face inferior do diafragma; o tronco celíaco – abrange três artérias, a a. gástrica esquerda, a. esplênica e a. hepática comum; a. mesentérica superior – irriga o intestino delgado, pâncreas, ceco, colos transverso e ascendente; aa. suprarrenais – segue para as glândulas suprarrenais; aa. renais – irriga os rins; aa. gonadais – a depender do sexo do indivíduo, pode vascularizar os testículos (aa. testiculares) ou ovários (aa. ovarianas); a. mesentérica inferior – colo transverso, descendente, sigmoide e reto;  e aa. ilíacas comuns – que levam o sangue aos membros inferiores.

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

No tronco celíaco, a artéria esplênica  irriga o baço, pâncreas e estômago e é a maior das três, enquanto a a. gástrica esquerda é a menor e segue para o estômago e esôfago.  Já a a. hepática comum é responsável pela vascularização do fígado, pâncreas, duodeno e estômago.

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

Qual a distribuição arterial da cabeça e pescoço?

            A sair do arco da aorta, cada uma das artérias carótidas comuns ascende o pescoço pela bainha carotídea junto ao nervo vago e a v. jugular interna, a fim de dividir-se em a. carótida externa e interna. A a. carótida interna entra na cavidade craniana através do canal carótico, a fim de dividir-se nas aa. cerebrais anterior e média, a. comunicante posterior e a. oftálmica, assim, ela irriga o encéfalo, a órbita, a orelha e o nariz.

Como ramificações das aa. subclávias, surgem as artérias vertebrais; elas ascendem pelo pescoço, atravessam o forame transverso das vértebras cervicais, e entram no crânio através do forame magno para alcançar a face inferior do encéfalo. As aa. vertebrais de cada lado unem-se para formar a a. basilar (sistema vértebro-basilar), a qual percorre o sulco basilar situado na face anterior da ponte, e emite a artéria cerebral posterior, a. cerebelar e a a. do labirinto.

Em síntese, as artérias carótidas internas e o sistema vértebro-basilar compõem uma anastomose em forma de polígono que irriga o cérebro, é o o círculo arterial do cérebro (Polígono de Willis), o qual é mostrado na imagem abaixo. O polígono é formado pelas aa. cerebrais anteriores, que se estendem do lobo frontal ao sulco parietoccipital; aa. cerebrais médias, correspondem aos principais ramos das aa. carótidas internas, elas percorrem todo o sulco lateral do cérebro, irrigando grande parte da face dorsolateral de cada hemisfério cerebral; aa. cerebrais posteriores, elas irrigam o lobo occipital e a face inferior do lobo temporal; além das aa. comunicantes anteriores (unem as aa. cerebrais anteriores direita e esquerda) e posteriores (unem a a. carótida interna à a. cerebral posterior).

Círculo arterial do cérebro. Fonte: TORTORA, 2016.

Já a artéria carótida externa é a principal fonte de sangue de todas as estruturas da cabeça, com exceção do encéfalo, apenas. Ela emite ramos anteriores: a. tireóidea superior – irriga a laringe e a parte superior da tireoide, a. lingual e a. facial – irriga os músculos da mímica facial; ramos posteriores: a. occipital – supre o couro cabeludo,e a. auricular posterior – irriga os mm. digástrico, estilo-hióideo, esternocleidomastóideo, a glândula parótida, a orelha média e a membrana do tímpano; ramos terminais: a. temporal superficial – supre as regiões temporal e frontal,e a. maxilar – irriga as estruturas mais profundas da face;e um ramo medial: a. faríngea ascendente – irriga parte da faringe. 

Qual a distribuição arterial para os membros superiores?

Partindo diretamente do arco da aorta, surge a a. subclávia esquerda, enquanto que a direita parte do tronco braquiocefálico, para então seguirem para seus respectivos membros até à margem inferior da primeira costela; ademais, elas emitem ramos que irrigam o encéfalo, pescoço, tórax e medula espinal.

Logo em seguida, surge a a. axilar como a continuação da a. subclávia na axila até à margem inferior do músculo redondo maior, ela irriga o úmero e os músculos do tórax, do ombro e da escápula. Como continuação da a. axilar, a a. braquial segue até a prega distal do cotovelo, contribuindo para a irrigação do braço e da articulação do cotovelo, sendo nesta artéria que a pressão arterial é aferida.

Ao chegar na prega distal do cotovelo, existem duas artérias oriundas da bifurcação da a. braquial. O maior ramo da bifurcação é a a. ulnar – percorre a face medial do antebraço e irriga seu compartimento medial. Já o menor ramo é a a. radial, que irriga o compartimento lateral do antebraço, localizando-se mais superficialmente na face anterior da extremidade distal do rádio, esta região é recoberta apenas por pele e fáscia e, por isso, consiste no local ideal para verificação do pulso radial.

Para adentrar a região da mão, a a. ulnar emite o arco palmar superficial, o qual irriga a palma da mão e continua-se como aa. digitais palmares comuns, elas originam as aa. digitais palmares próprias. Por sua vez, o arco palmar profundo é formado principalmente pela a. radial, ele irriga a palma da mão e forma as aa. metacarpais palmares, elas se anastomosam com as aa. digitais palmares comuns do arco superficial. Desse modo, é possível notar uma relação de oposição entre superficial e profundo, na qual a a. radial é superficial e forma o arco palmar profundo, enquanto a a. ulnar é profunda e gera o arco palmar superficial.

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

Como se dá a distribuição arterial nos membros inferiores?

            Inicialmente, vale lembrar que a parte abdominal da artéria aorta termina na altura da quarta vértebra lombar. De lá, esta porção fornece vários ramos colaterais e dois ramos terminais: as aa. ilíacas comuns direita e esquerda, na qual cada uma irá se bifurcar em a. ilíaca interna e a. ilíaca externa.

A a. ilíaca interna irriga a região da pelve, isto é, músculos mediais da coxa, glúteos e pélvicos, bexiga urinária e órgãos genitais externos. Após transpor o forame isquiático maior, forma ramos anteriores e posteriores. Sua divisão anterior emite a a. retal média, a. obturatória, aa. vesicais superior (origina a a. umbilical) e inferior, vaginal, uterina, pudenda interna e glútea inferior. Já o posterior origina as aa. iliolombar, sacrais laterais e glútea superior.

Já a a. ilíaca externa irriga seu respectivo membro inferior e, após atravessar o ligamento inguinal e adentrar o trígono femoral (região neurovascular da virilha composta pela, da porção lateral para medial, veia, artéria e nervo femorais), continua-se como a. femoral, irrigando os músculos da coxa, o fêmur, ligamentos e tendões da articulação do joelho. Seu trajeto consiste em descer anteromedialmente a região da coxa até cruzar o hiato dos adutores (abertura no tendão do m. adutor magno) para terminar na fossa poplítea, onde se torna a. poplítea. A a. femoral também emite como ramo principal originado de sua face lateral ou posterior a a. femoral profunda, ela segue profundamente aos m. pectíneo e iliopsoas, entra na região glútea e emite vários ramos que suprem os mm. do compartimento anterior.

Por sua vez, a a. poplítea supre os músculos distais da coxa e proximais da perna, bem como a pele, a articulação do joelho e os ossos fêmur, patela, tíbia e fíbula. Como é a continuação da a. femoral a nível da fossa poplítea, seu trajeto consiste em descer a face posterior do joelho até se bifurcar na a. tibial anterior e posterior.

A a. tibial anterior surge quando a a. poplítea perfura a abertura na parte superior da membrana interóssea tibiofibular e adentra o compartimento anterior da perna, irrigando-o. Além disso, ela forma as aa. dorsais do pé, as mesmas que originam as aa. metatarsais dorsais e aa. digitais dorsais.

Enquanto isso, a a. tibial posterior corresponde a continuação direta da a. poplítea, profundamente ao m. sóleo; ela desce posteriormente ao maléolo medial e curva-se para frente em direção à face plantar do pé, onde irá ramificar-se em aa. plantar medial e plantar lateral. A união dessas duas últimas somadas as aa. dorsais do pé formam o arco plantar – inicia-se na base do V metatarso e, conforme cruza o pé, se estende da região lateral para a medial, e emite as aa. metatarsais plantares e aa. digitais plantares. Como continuação da a. tibial posterior, a a. fibular – surge no meio da perna e dirige-se pelo seu compartimento lateral para irrigá-lo.

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

CAPILARES

Eles correspondem a tubos endoteliais microscópicos que unem e controlam a troca de materiais das artérias e veias com o líquido extracelular ou intersticial. A parede do capilar é formada por um endotélio e sua lâmina basal, mais alguns pericitos isolados.

SISTEMA VENOSO

Com relação à sua classificação de situação, as veias podem ser superficiais – são subcutâneas, independentes e frequentemente visíveis; profundas solitárias – não acompanham as artérias; ou profundas satélites – acompanham as artérias apresentando, geralmente, duas ou mais veias acompanhantes. Assim sendo, grande parte das veias profundas têm a mesma denominação das artérias que elas acompanham. Convém lembrar que, pelo fato das veias realizarem a drenagem, seu trajeto quase sempre é contrário ao das artérias, indo de distal para proximal, em direção ao coração.

Enquanto no sistema arterial cita-se a aorta como sendo a principal artéria, no sistema venoso podemos citar as veias cavas superior e inferior, que penetram no átrio direito, e o seio coronário, este realiza a drenagem das veias cardíacas, também, ao átrio direito.

Quais veias realizam a drenagem do membro superior?

            As veias digitais dorsais drenam o sangue dos dedos para as vv. metacarpais dorsais, a união destas veias formam o arco venoso dorsal, que, por sua vez, continuam proximalmente como as veias superficiais cefálica e basílica.

Como veias superficiais temos as veias cefálica, basílica, intermédia do cotovelo e do antebraço. A v. cefálica ascende a partir da face lateral da arco, prosseguindo ao longo da margem lateral do punho e da face anterolateral da região proximal do antebraço e do braço, até unir-se à veia axilar. A v. basílica ascende a partir da face medial do arco venoso dorsal ao longo da face medial do antebraço e da parte inferior do braço, perfura a fáscia do braço e segue em sentido superior paralelamente à artéria braquial, a qual se une a fim de formarem à v. axilar.

Superficialmente ainda existem duas veias que se ligam com as veias acima. Unindo a veia cefálica à v. basílica, há a v. intermédia do cotovelo, que possui um trajeto oblíquo na face anterior na fossa cubital do cotovelo. Já a v. intermédia do antebraço, uma veia muito variável, inicia-se na base do dorso do polegar no arco venoso palmar superficial, curva-se ao redor da face lateral do punho e ascende no meio da face anterior do antebraço entre as veias cefálica e basílica para unir-se a esta.

Já o arco venoso palmar é dividido em superficial (drena as veias digitais palmares comuns e próprias) e profundo (drena as veias metacarpais palmares), e termina, ao ser drenado, respectivamente, para a veia ulnar e radial. Ao receber o sangue do arco venoso palmar profundo, a v. radial ascende a fim de drenar a face lateral do antebraço e une-se à veia ulnar – que drena o arco superficial e ascende pela região medial do antebraço até unir-se com a v. radial para formarem aveia braquial.

A v. braquial inicia-se na região da fossa cubital pela união das veias ulnar e radial, drena o cotovelo e braço e termina ao fundir-se com a veia basílica para formar a veia axilar.  A v. axilar vem a drenar o sangue dos ombros, braços, pescoço e parede torácica superolateral, e termina na margem lateral da costela I, onde se torna veia subclávia. Por sua vez, a v. subclávia, que inicia-se logo depois que a v. axilar termina na margem lateral da I costela, ela drena o sangue dos braços, ombros, pescoço e parede torácica superior, além do crânio, face, vértebras, medula e meninges pelas veias jugular externa e vertebral, as quais desembocam nela.

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

Como se dá a drenagem da cabeça e pescoço?

O sangue das veias do encéfalo e do globo ocular é drenado para os seios da dura-máter (seios sagital superior e inferior, reto, transverso, sigmoide, occipital, cavernoso, intercavernosos, esfenoparietal, petroso superior e inferior, e basilar). De toda maneira, o sistema venoso encefálico é dividido em superficial e profundo, os quais estão unidos por anastomoses.

O sistema venoso superficial drena o sangue do córtex encefálico, através das vv. cerebrais superficiais superiores e inferiores, para os seios da dura-máter; já o sistema venoso profundo drena o sangue das regiões profundas do encéfalo para a sua principal veia, a v. cerebral magna, a qual segue para desembocar no seio reto. O sangue drenado da cavidade intracraniana segue para os seios sigmoides e deles para as vv. jugulares internas, as quais saem pelo forame jugular e descem profundamente aos músculos esternocleidomastóideos. Cada v. jugular interna se anastomosa com uma v. subclávia para formar as vv. braquiocefálicas.

A veia braquiocefálica é formada pela v. vertebral e pela união da v. jugular interna e a v. subclávia. A junção das vv. braquiocefálicas direita e esquerda formam a veia cava superior; ressaltando que a v. braquiocefálica esquerda é maior e mais horizontal que a direita.

A v. cava superior estende-se da primeira cartilagem costal direita, onde há a união das veias braquiocefálicas direita e esquerda, e termina no nível da terceira cartilagem costal direita, onde penetra no átrio direito, drenando o sangue da cabeça, pescoço, membros superiores e tórax.

A drenagem da face e do couro cabeludo envolve veias tributárias da face, lábios, língua e outras que levam o sangue à veia facial. A v. facial recebe a v. facial profunda, a qual une-se com a divisão anterior da veia retromandibular e formam a veia facial comum, que desemboca na veia jugular interna a nível do ângulo da mandíbula. Já a divisão posterior da v. retromandibular e a veia auricular posterior, formam a veia jugular externa.

Principais veias do corpo. Fonte: TORTORA, 2016

Qual veia drena todo o sangue proveniente do tórax, abdome e MMII?

Se a veia cava superior drena os MMSS, cabeça e pescoço para o átrio direito, é a v. cava inferior, veia de maior calibre de todo o corpo que drena as veias do tórax, abdome, pelve e membros inferiores. Ela começa a nível da 5ª vértebra lombar, no ponto de união das vv. ilíacas comuns, ascende à direita da linha mediana, passa pelo diafragma e entra no átrio direito.

O tórax possui um sistema de drenagem denominado Sistema Ázigo, o qual é composto pela v. ázigo, v. hemiázigo e v. hemiázigo acessória. A v. ázigo é uma veia ímpar anterior e a direita da coluna vertebral, que recebe as vv. intercostal posterior direita, hemiázigo, hemiázigo acessória, esofágicas, mediastinais, pericárdicas e bronquiais. Enquanto que a v. hemiázigo se localiza anteriormente e a esquerda da coluna vertebral, drenando o sangue do lado esquerdo da parede inferior do tórax pelas tributárias da IX à XI veias intercostais posteriores esquerdas, esofágicas, mediastinais e, às vezes, hemiázigo acessória; esta última possui a mesma localização da v. hemiázigo, exceto por ser mais superior e receber o sangue da IV a VIII veias intercostais posteriores esquerdas (a I a III veias intercostais posteriores drenam para veia braquiocefálica esquerda), bronquiais esquerdas e mediastinais.

O abdome é drenado pelas veias frênica inferior – drena a face inferior do diafragma e tecidos peritoneais, v. hepática – levam o sangue proveniente dos órgãos gastrointestinais, v. lombar – drena o abdome; vértebras, meninges, medula e nervos (região lombar), v. suprarrenal – recebe o sangue das glândulas suprarrenais, v. renal, v. gonadal (depende do sexo do indivíduo, nos homens as veias recebem o sangue vindo dos testículos, e nas mulheres dos ovários) e v. ilíaca comum – drena o membro inferior.

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

Como dito anteriormente, a drenagem dos órgãos gastrointestinais é realizada através da veia hepática, a qual recebe o sangue da circulação porta hepática. Esta circulação envolve a presença da veia porta do fígado, a qual é formada pela união da veia mesentérica superior (drena o sangue do intestino delgado, partes do intestino grosso, estômago e pâncreas) e a veia esplênica (drena o estômago, pâncreas e partes do intestino grosso).

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

Como ocorre a drenagem venosa dos membros inferiores?

Existem duas veias superficiais nos membros inferiores. Por ser a maior veia do corpo, a v. safena magna possui muitas válvulas (10 a 20) e é mais suscetível às varizes. Seu trajeto inicia-se na extremidade medial do arco venoso do pé, ascende pelo maléolo medial da tíbia e segue posteriormente ao côndilo medial do fêmur, até atravessar o hiato safeno na fáscia lata e desembocar na v. femoral.  Já a v. safena parva começa na face lateral do arco venoso dorsal do pé, passando posteriormente ao maléolo lateral da fíbula e ascendendo profundamente a pele do compartimento posterior da perna, até esvaziar-se na veia poplítea.

Seguindo a distribuição venosa profunda, encontramos inicialmente, na planta do pé, as vv. digitais plantares que se unem para formar as vv. metatarsais plantares, as quais se juntam para formar os arcos venosos plantares profundos. Este origina as vv. plantares medial e lateral que se comunicam para então formarem a v. tibial posterior. O arco venoso dorsal do pé é uma rede de veias do dorso do pé formadas pelas veias metatarsais dorsais, oriundas da união das veias digitais dorsais. Além disso, a v. tibial anterior e as vv. safenas magna e parva têm origem deste arco.

A face lateral do arco venoso plantar é drenada pela v. fibular, situada posteriormente ao maléolo lateral, ascendendo para drenar o compartimento lateral da perna até desembocar na v. tibial posterior. A v. tibial posterior é a continuação do arco venoso plantar profundo (união das vv. plantar medial e lateral na face plantar do pé), começando posteriormente ao maléolo medial. Ascende pela perna e une-se à v. tibial anterior próximo do topo da membrana interóssea para que formem a v. poplítea. Já a v. tibial anterior emerge no arco venoso dorsal, ascende profundamente ao músculo tibial anterior na face anterior da membrana interóssea tibiofibular, atravessando uma abertura na extremidade superior desta para juntar-se à v. tibial posterior e formar a v. poplítea. Com isso, nota-se que a v. poplítea corresponde à união das vv. tibiais anterior e posterior na extremidade proximal da perna, recebendo a v. safena parva e realizando um trajeto ascendente na região da fossa poplítea até atravessar o hiato dos adutores e continuar-se como v. femoral.

Continuação da v. poplítea, a v. femoral recebe contribuições da v. safena magna e da v. femoral profunda ao seguir em seu trajeto. Ela passa através de uma abertura no m. adutor magno (hiato dos adutores), ascendendo profundamente ao m. sartório até emergir, medialmente, no trígono femoral presente na extremidade proximal da coxa. Ao passar pelo ligamento inguinal, torna-se v. ilíaca externa – une-se a v. ilíaca interna para formar a v. ilíaca comum, que chega ao átrio direito pela v. cava inferior. Tal v. ilíaca interna é encarregada por drenar o sangue dos músculos da parede pélvica e da região glútea, vísceras pélvicas e órgãos genitais externos.

Circulação porta hepática. Fonte: autoria própria.

Qual o mecanismo vascular responsável por impedir o refluxo de sangue?

 Tanto as veias superficiais como as profundas, embora mais numerosas nestas, apresentam as chamadas válvulas venosas – projeções do endotélio com seios valvulares que, quando cheios, ocluem a luz do vaso. Com isso, evitam o refluxo do sangue e tornam seu fluxo unidirecional, estando contra a ação da gravidade. Tal mecanismo valvular também divide a coluna de sangue circulando na veia em segmentos menores, reduzindo a pressão retrógrada. Os dois efeitos facilitam o trabalho da bomba músculo-venosa para superar a força da gravidade e reconduzir o sangue ao coração.

O que são varizes e porque são prejudiciais?

Quando as veias perdem sua elasticidade e dilatam por uma sobrecarga pelo aumento de pressão, elas são denominadas de veias varicosas, fazendo com que as válvulas, que auxiliam a subida do sangue até o coração, não funcionem de forma eficiente.

O que significa a frase “as panturrilhas são nosso segundo coração”?

Como sabemos, o coração é uma bomba contrátil-propulsora de sangue e, na maioria das vezes, o retorno venoso ocorre contra a ação da gravidade. Por este motivo, a contração dos músculos da perna (tríceps sural), conhecida popularmente por panturrilha, permite um bom impulso de sangue venoso para as regiões proximais. Esse mecanismo é denominado como a “bomba musculovenosa”, a qual é aumentada pela fáscia muscular que reveste os músculos como uma meia elástica, funcionando de maneira semelhante ao coração.

Bomba musculovenosa. Fonte: TORTORA, 2016.

REFERÊNCIAS

DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar. 3ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2007.

MACHADO, A.; HAERTEL, L.M. Neuroanatomia Funcional. 3ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2014.

MOORE, K.L; DALLEY, A. F; AGUR, A. M. R. Anatomia Orientada para Clínica. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

STANDRING, S. Gray’s Anatomia. 40ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

TEIXEIRA, L. M. S; et al. Anatomia Aplicada à Odontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

TORTORA, Gerard J. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 14ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

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