8- Plexo braquial

Bianca Mirelle Ferreira de Souza1 & Luana Beatriz de Moura Freitas1

1Acadêmicos em Fisioterapia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, monitores de Anatomia Humana da área V.

A cintura escapular e o membro superior funcionam em conjunto a fim de realizar diversos movimentos fundamentais para o cotidiano do homem, tais como alcançar, aproximar, afastar objetos e manipulá-los. Assim, as articulações e músculos do membro superior são requisitados diariamente para exercer adequadamente todos os movimentos. 

No entanto, a execução correta das ações é de responsabilidade do sistema motor, juntamente ao sistema sensorial, transmitindo a informação necessária ao sistema nervoso central. Este capta as informações recebidas e as envia por meio de impulsos nervosos para os músculos, gerando uma resposta neuromuscular para que o movimento seja executado. 

Desse modo, o plexo braquial é considerado a estrutura responsável por fornecer o suprimento nervoso (comandos motores e sensitivos) para a cintura escapular, membros superiores, músculos de região cervical, torácica e dorsal. 

O plexo braquial é formado pelas raízes ventrais dos nervos espinais de C5 a T1 e, em seu trajeto, estende-se inferior e lateralmente em ambos os lados das últimas IV vértebras cervicais e a I vértebra torácica. Passa acima da I costela, posteriormente à clavícula e, em seguida, adentra na axila. Além disso, pode haver contribuição de C4 na formação do plexo.

Em sua primeira divisão, as raízes ventrais unem-se e formam troncos (superior, médio e inferior), os troncos dão origem a fascículos (medial, lateral e posterior), dos fascículos surgirão os nervos principais.

Formação do plexo braquial

É necessário compreender que as “raízes do plexo braquial” referem-se aos ramos ventrais dos nervos espinais. Logo, antes de se falar sobre os troncos, é preciso comentar sobre os nervos que se originam a partir desses ramos ventrais. 

Para que leitor tenha melhor entendimento, perceba que os ramos do plexo braquial podem ser divididos em supraclaviculares – localizados no trígono lateral do pescoço, e infraclaviculares – localizados na axila. Os três nervos apresentados a seguir são exemplos de ramos supraclaviculares.

O ramo ventral de C5 irá originar o n. dorsal da escápula que, em seu trajeto, perfura o m. escaleno médio e desce profundamente para inervar os mm. romboides menor e maior. Os ramos ventrais de C5, C6 e C7 formarão o n. torácico longo que se projeta posteriormente às raízes de C8 e T1 do plexo para inervar o m. serrátil anterior. Já o ramo ventral de T1 formará o n. intercostal que inerva os mm. intercostais.

Logo após, os nervos espinais formarão os troncos do plexo braquial (Fig. 1):

  • Os ramos ventrais de C5 e C6 unem-se e formam o tronco superior;
  • O ramo ventral de C7 continua como tronco médio;
  • Os ramos ventrais de C8 e T1 unem-se e formam o tronco inferior.
Fig 1. Formação dos troncos do plexo braquial.

Do tronco superior emergem ramos para formar os seguintes nervos (que também são supraclaviculares): i) o n. subclávio (Fig. 2) que desce posteriormente à clavícula e anteriormente ao plexo braquial para inervar o m. subclávio e a articulação esternoclavicular – esse nervo emite uma raiz acessória para o nervo frênico que inerva o diafragma; ii) e o n. supraescapular (Fig. 2) que segue lateralmente através da região do trígono cervical posterior e continua através da incisura da escápula para inervar os mm. supraespinal e infraespinal (articulação do ombro).

Fig 2. Alguns nervos supraclaviculares. Adaptado de Gray’s anatomia para estudantes (2010).

Cada tronco irá se bifurcar em uma divisão anterior e posterior para que logo após comece a formação dos fascículos. Por conseguinte, tem-se três fascículos: posterior, lateral e medial.

Formação dos fascículos do plexo braquial

Em seguida, os fascículos se dispõem dessa forma (Figs. 3 e 4): 

  • A união das divisões posteriores dos três troncos formará o fascículo posterior, no qual originarão os nervos radial, axilar, subescapular superior, subescapular inferior e toracodorsal.
  • A união da divisão anterior do tronco superior e médio formará o fascículo lateral, de onde se originarão os nervos peitoral lateral, a raiz lateral do nervo mediano e o musculocutâneo.
  • A divisão anterior do tronco inferior formará o fascículo medial, a partir do qual serão formados os nervos peitoral medial, cutâneo medial do braço, cutâneo medial do antebraço, ramo medial do nervo mediano e o ulnar.

Nervos provenientes do fascículo posterior

Os ramos infraclaviculares serão descritos a partir de cada fascículo. Dessa forma do fascículo posterior surgirão os seguintes nervos:  axilar, radial, subescapulares e toracodorsal (Fig. 5).

Fig 5. Nervos provenientes do fascículo posterior. Adaptado de Gray’s anatomia para estudantes (2010).
  • N. axilar:

Contorna o colo cirúrgico do úmero, se distribuindo para inervar os mm. deltoide e o redondo menor. Ademais, faz a inervação cutânea da região proximal do braço (Fig. 6).

  • N. radial:

Efetua a inervação de todos os mm. posteriores do braço e antebraço. Além disso, consegue fazer a inervação cutânea da região lateral do dorso da mão, dorso do polegar, falanges proximais dos dedos indicador e médio, e grande parte da região posterior do braço e antebraço (Fig. 6).

Fig 6. Distribuição dos nervos axilar e radial. Adaptado de Netter (2011).
  • Subescapular superior: 

Após sair do seu fascículo de origem, segue posteriormente e entra diretamente no m. subescapular para inervar sua parte superior.

  • Subescapular inferior: 

Segue em sentido inferolateral, profundamente à artéria e veia subescapulares para inervar a parte inferior dos mm. subescapular e redondo maior.

  • Toracodorsal: 

Origina-se entre os nn. subescapulares superior e inferior e segue inferolateralmente ao longo da parede axilar posterior até o m. latíssimo do dorso para fornecer sua inervação.

Nervos provenientes do fascículo lateral

Do fascículo lateral emergem os seguintes nervos (Fig. 7): mediano, musculocutâneo e peitoral lateral.

Fig 7. Nervos provenientes do fascículo lateral. Adaptado de Gray’s anatomia para estudantes (2010).
  • N. musculocutâneo:

Perfura o m. coracobraquial e segue entre os mm. braquial e o bíceps braquial. Dessa forma, o nervo musculocutâneo fará a inervação motora dos mm. anteriores do braço, além da inervação sensitiva na região anterolateral e posterolateral do antebraço (Fig. 8). Assim, quando se inferioriza, prossegue como n. cutâneo lateral do antebraço

Fig 8. Distribuição do nervo musculocutâneo. Adaptado de Netter (2011).
  • Nervo mediano:

O n. mediano é formado por duas raízes – o fascículo lateral emite a raiz lateral, e o fascículo medial emite a raiz medial. Realiza inervação motora na maioria dos mm. anteriores do antebraço, exceto o flexor ulnar do carpo e metade medial do flexor profundo dos dedos. Na mão, inerva a praticamente todos os músculos da eminência tenar, a maioria dos mm. intrínsecos do polegar e os mm. I e II lumbricais. Além disso, ainda nesta região, faz a inervação cutânea da metade lateral da palma, face palmar dos I-III dedos e metade do IV dedo; e a face dorsal das falanges média e distal do II e III dedo, e metade lateral do IV do dedo (Figs. 9 e 10).

  • Nervo peitoral lateral:

Após sua formação, perfura a membrana costocoracoide para chegar à face profunda dos mm. peitorais e inervá-los. Tem-se também um ramo comunicante para o nervo peitoral medial que, juntamente, inerva o m. peitoral menor.

Nervos provenientes do fascículo medial

Já os nervos que saem do fascículo medial (Fig 11) são: ulnar, peitoral medial, cutâneo medial do braço e cutâneo medial do antebraço.

Fig 11. Nervos provenientes do fascículo medial. Adaptado de Gray’s anatomia para estudantes (2010).
  • Nervo ulnar:

Exerce a inervação dos mm. flexor ulnar do carpo e a metade medial do flexor profundo dos dedos; logo, nota-se que este inerva os únicos mm. anteriores do antebraço que o n. mediano não inerva. Ademais, na mão, inerva todos os mm. da eminência hipotenar e da região central, exceto os I-II lumbricais. Além disso, faz a inervação cutânea da eminência hipotenar e a região medial do dorso da mão. A nível de curiosidade, esse n. é o responsável pela sensação de “choque” quando “batemos” o cotovelo em alguma superfície rígida.

  • Nervo peitoral medial: 

É responsável por inervar o m. peitoral menor e a parte esternocostal do m. peitoral maior. Embora seja denominado medial em razão de sua origem no fascículo medial, situa-se lateralmente ao n. peitoral lateral.

  • Cutâneo medial do braço:

Inerva a pele da face medial do braço, até o epicôndilo medial do úmero e olécrano da ulna, sendo considerado o menor nervo do plexo.

  • Cutâneo medial do antebraço: 

Inicialmente segue junto com o n. ulnar, mas perfura a fáscia muscular e entra na tela subcutânea, dividindo-se em ramos anterior e posterior. Inerva pele desde a face medial do antebraço até o punho (Figs. 14 e 15).

Referências

MOORE, Keith L. Dalleu, Arthur F.; AGUR, Anne M.R.; Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

TORTORA, Gerard. J.; NIELSEN, mark T.; Princípios de Anatomia Humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 

STANDRING, S. Gray’s Anatomia. 40ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

NETTER, Frank H.; Atlas de Anatomia Humana. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.