8- Sistema Digestório

Francisco Vital Ferreira Junior1; Maria Clara do Lago Santana1; Rebeca de Castro Santana1

1 acadêmico em Fisioterapia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN);


A principal função do sistema digestório é decompor os alimentos em compostos que serão absorvidos pelas células do corpo, além de eliminar os resíduos por meio das fezes. Dessa forma, o sistema contribui para homeostasia corporal, tendo em vista que nossa alimentação é rica em nutrientes essenciais para a vida e corresponde à única fonte de energia química.

Dois grupos de órgãos compõem o sistema digestório: a) o trato gastrointestinal formado pela boca, grande parte da faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso, reto; e b) os órgãos acessórios incluem dentes, língua, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas.

Peritônio

O peritônio é a membrana serosa mais extensa do corpo podendo ser divido em peritônio visceral (recobre as vísceras) e em peritônio parietal (reveste a parede abdominal). No espaço entre essas duas lâminas encontra-se a cavidade peritoneal. O peritônio possui dois tipos de formações peritoneais: a) os mesentérios – pregas delgadas de tecido conjuntivo revestido pela serosa contendo vasos sanguíneos que suspendem as vísceras peritonizadas na parede abdominal, posteriormente; e b) os omentos – pregas peritoneais duplas entre os órgãos. Os mesentérios podem ser o mesentério propriamente dito, mesocólon transverso, mesocólon sigmoide e mesocólons ascendente e descendente, enquanto os omentos são subdivididos em omento maior e menor.

Fonte: Tortora (2013)

Boca

Na boca, também chamada de cavidade oral ou cavidade própria da boca, irá ocorrer à trituração, umidificação e mistura de alimentos; nela se iniciando o processo da digestão de alguns alimentos. É limitada pelas bochechas, pelo palato duro e mole, e pela língua. O vestíbulo da boca é limitado pelas bochechas e internamente pelas gengivas e dentes; já a cavidade própria da boca é o espaço que se estende das gengivas e dentes até as fauces.

Suspenso no palato mole encontra-se a úvula palatina. Durante a deglutição, o palato mole e a úvula palatina são tracionados para cima, impedindo que o alimento e líquidos entrem na cavidade nasal. Lateralmente à base da úvula observa-se o arco palatoglosso, anteriormente; e o arco palatofaríngeo, posteriormente. Entre os arcos está situada a respectiva tonsila palatina.

Fonte: Netter (2011)

Dentes

Dentes são estruturas rígidas, esbranquiçadas, implantadas no que chamamos de processos alveolares das maxilas (ou maxilar, no adulto) e mandíbula. A estrutura dentária se divide em: raiz (implantada no alvéolo), coroa (porção livre) e o colo (situado entre as duas regiões). Há 32 dentes em um homem adulto, dos quais 8 são incisivos, 4 caninos, 8 pré-molares e 12 molares.
– Incisivos: situados anteriormente na arcada dentária, servem para cortar os alimentos.
– Caninos: localizam lateralmente aos incisivos, tem função de rasgar o alimento.
– Pré-molares e molares: possuem função comum de triturar os alimentos, os pré-molares situam-se posteriormente aos caninos e em seguida estão os molares.

Glândulas salivares maiores

São glândulas exócrinas que liberam a saliva na cavidade oral. Tem como função umidificar as mucosas da faringe e da boca, além de auxiliar na digestão do alimento no processo de decomposição química. Fazem parte das glândulas salivares maiores os pares de glândulas parótidas, submandibulares e as sublinguais. As glândulas parótidas estão localizadas inferior e anteriormente às orelhas, entre a pele e o músculo masseter. Já as glândulas submandibulares são encontradas no assoalho da boca, medialmente e parcialmente abaixo da mandíbula. Por fim, as glândulas sublinguais encontram-se abaixo da língua e acima das glândulas submandibulares.

Fonte: Tortora (2013)

Língua

A língua é classificada como um órgão acessório composto por músculos esqueléticos e que forma o assoalho da cavidade oral. Suas principais estruturas são o sulco mediano (acompanha toda a extensão da língua, do ápice até a raiz), e o sulco terminal (perpendicular ao sulco mediano). A interseção desses dois sulcos é chamada de forame cego da língua. A língua apresenta tonsilas linguais dispersas por sua estrutura. Recobrindo o músculo esquelético, a língua possui um tecido especializado em sentir sabor dos alimentos – as principais estruturas responsáveis por essa função são as papilas. As papilas mais visíveis que são as folhadas (que estão na lateral da língua) e as circunvaladas (localizadas próxima à raiz da língua que são maiores e mais circulares). No dorso da língua se encontra o frênulo lingual que visa limitar a excursão do órgão.

Dorso da Língua. Fonte: Autoria própria.

Faringe

Quando o alimento é deglutido atravessa a da boca em direção à faringe, que se estende dos cóanos até o esôfago (posteriormente) e laringe (anteriormente). A faringe é dividida em três partes: a) parte nasal, b) a parte oral e a c) parte laríngea. Tanto a parte oral quanto a laríngea são comuns para o sistema respiratório e digestório. Os alimentos quando deglutidos passam pela parte oral da faringe e pela parte laríngea da faringe e seguem para o esôfago, por meio dos movimentos peristálticos.

Hemicabeça e pescoço. Fonte: Autoria própria.

Esôfago

O esôfago é um tubo muscular situado posteriormente à traqueia. Inicia-se no esfíncter esofágico superior na extremidade inferior da parte laríngea da faringe, passando pelo mediastino e atravessando o diafragma pelo hiato esofágico até desembocar-se no estômago. Assim, pode ser dividido em partes cervical, torácica e abdominal. A passagem do alimento/líquido pelo esôfago dura apenas poucos segundos e em seguida chega no estômago pelo esfíncter esofágico inferior. A movimentação do bolo alimentarem na região se dá por uma série de contrações e relaxamentos coordenados da musculatura lisa denominado de peristalse ou movimentos peristálticos. A peristalse também ocorre em outras estruturas do trato gastrointestinal, como também em outras estruturas tubulares do corpo.

Estômago

O estômago é um órgão em formato de J que atua na mistura e armazenamento do bolo alimentar. O órgão possui quatro regiões principais: a a) cárdia e seu óstio cárdico encontram-se superiormente e apontados para a direita do estômago; o b) fundo gástrico que é a parte arredondada e em cúpula, localizado superior e à esquerda da região cárdia; inferiormente ao fundo gástrico observa-se o c) corpo gástrico; e finalmente a d) parte pilórica vai unir a parte inferior do estômago ao duodeno. Esta parte vai formar o óstio pilórico. No interior do estômago, quando vazio, a túnica mucosa forma pregas gástricas que secretam suco gástrico. A margem medial é chamada de curvatura menor, a margem lateral de curvatura maior.

Estômago. Fonte: Autoria própria

Intestino delgado

O intestino delgado se subdivide em três partes: duodeno, jejuno e íleo.  A comunicação entre o estômago na parte superior se dá pela válvula pilórica e inferiormente com a primeira região do intestino grosso chamada ceco pela válvula íliocecal. A maior parte do processo da digestão ocorre no duodeno e nas partes superiores do jejuno; já as regiões inferiores juntamente ao íleo são responsáveis pela absorção de nutrientes e vitaminas. É importante ressaltar que durante a chegada do quimo o intestino delgado recebe a bile – que é produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar, o suco pancreático – oriundo do pâncreas- além do próprio suco gástrico que vão se misturar com esse conteúdo estomacal através dos movimentos peristálticos.

Intestino delgado. Fonte: Autoria própria

Pâncreas

O pâncreas é uma glândula ímpar, retroperitonial, com dimensões de aproximadamente 12 a 15 cm de comprimento e 2,5 cm espessura, que está localizado posteriormente à curvatura maior do estômago.

Anatomicamente, o pâncreas é dividido em a) cabeça, porção expandida do órgão próximo da curvatura do duodeno; b) corpo, que situa-se superiormente e à esquerda da cabeça, e c) cauda, porção afilada na parte terminal do pâncreas. O pâncreas transporta suas secreções para o intestino delgado através de dois ductos, o ducto pancreático maior – que se une ao ao ducto colédoco oriundo do fígado e da vesícula biliar, e desemboca no duodeno através de um ducto comum e dilatado, denominado de ampola hepatopancreática. Esta se abre na mucosa duodenal como uma elevação denominada de papila maior do duodeno. O segundo ducto proveniente do pâncreas é o ducto pancreático acessório, menor, e que se esvazia no duodeno a alguns centímetros acima da ampola hepatopancreática. As secreções do pâncreas tem a função de neutralizar a acidez do suco gástrico presente no quimo, e criar um pH apropriado para a ação das enzimas do intestino delgado.

Fígado e vesícula biliar

O fígado é o maior órgão interno e a glândula mais pesada do corpo, chegando a pesar 1,4 kg em um adulto médio. Localiza-se inferiormente ao diafragma e ocupa a maior parte do hipocôndrio direito e parte do epigástrio. Na face inferior do fígado, encontra-se uma bolsa de formato piriforme denominada de vesícula biliar, responsável por armazenar a bile produzida pelo fígado. Esta versícula possui dimensões entre 7 e 10 cm de comprimento e três partes: fundo, corpo e colo, este último de onde se projeta o ducto cístico.

Anatomicamente o fígado é dividido em dois lobos principais: um lobo direito, maior; e um lobo esquerdo, menor. Ambos os lobos são separados por uma prega peritoneal denominada ligamento falciforme. O ligamento falciforme tem a função de ajudar a sustentar o fígado na cavidade abdominal, e possui uma porção livre, o ligamento redondo. Existem outros dois lobos menores que se relacionam com o lobo esquerdo e que são visíveis na face visceral do fígado: os lobos quadrado e caudado.

A bile produzida no fígado, e armazenada na vesícula biliar tem atuação na emulsificação e decomposição de lipídeos, e na absorção dos lipídeos digeridos.

Fígado, vista anterior. Fonte: Autoria própria.
Face visceral do fígado. Fonte: Autoria própria

Intestino grosso

Em sua totalidade, o intestino grosso possui sete partes. A primeira encontra-se caudalmente à válvula íleocecal e é chamada de ceco. Este é uma bolsa dilatada onde é possível encontrar uma estrutura tubular e enovelada denominada apêndice vermiforme. Em seguida, o substrato move-se superiormente do ceco para o colo ascendente; e deste para o colo transverso (que está horizontalmente no corpo), para o colo descendente e finalmente ao colo sigmoide. Entre os colos ascendente e transverso é possível observar a flexura hepática ou flexura direita do colo, e entre os colos transverso e descendente a flexura esplênica ou flexura esquerda do colo. A região final do intestino grosso é o reto, o qual é separado do meio externo pelo ânus – uma abertura controlada por um esfíncter interno anal de músculo liso e um esfíncter externo anal de músculo estriado esquelético (voluntário).

Além do maior calibre, o intestino grosso possui algumas diferenças em relação ao intestino delgado, como a presença de tênias, apêndices omentais (epiplóicos) e a presença de saculações do colo. As tênias do cólon são fitas longitudinais que percorrem toda a extensão do órgão sendo mais evidente no colo sigmoide e ceco. Os apêndices epiplóicos são pequenas bolsas de peritônio amareladas ricas em gordura presentes principalmente no colo sigmoide. As saculações são abaulamentos ampulares separados por sulcos transversais.

A função precípua do intestino grosso é a absorção de água e eletrólitos, armazenagem temporária e eliminação de resíduos.

Intestino grosso. Fonte: Autoria própria.

Referências:

NETTER, Frank Henry. Atlas de anatomia humana. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015

SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.

DANGELO & FATTINI. Anatomia Sistêmica e Segmentar. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2001

TORTORA, Gerard. J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

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