6- Sistema Genital Masculino

O sistema reprodutor masculino corresponde ao conjunto de órgãos envolvidos com a reprodução ao produzirem e transportarem gametas e participarem da cópula, bem como a produção de hormônios. Ele é composto por um pênis, um escroto, uma próstata e pares de funículos espermáticos, testículos, epidídimos, glândulas seminais e glândulas bulbouretrais; os quais podemos separar em órgãos genitais internos e externos (pênis e escroto).

Testículo

Os testículos são as duas gônadas masculinas, isto é, estruturas ovais pares que produzem os espermatozoides (gametas) e hormônios (testosterona). Eles estão localizados obliquamente no escroto, com seu polo superior inclinado anterolateralmente,  suspensos pelos funículos espermáticos, de forma que o testículo esquerdo está nivelado mais abaixo que o direito porque o seu funículo espermático é mais longo.

Cada testículo possui uma face medial e uma lateral, além de uma face anterior (convexa), uma face posterior (plana), e um polo superior, onde o epidídimo está situado posterolateralmente.

O que recobre os testículos?

Eles são revestidos por uma túnica albugínea, cápsula de tecido conjuntivo denso branco-azulado que reveste intimamente o testículo, estende-se como mediastino e divide-se em lóbulos; e uma túnica vaginal, equivalente às 2 lâminas — a parietal e visceral — que recobrem o testículo e o epidídimo. Ainda convém lembrar que entre as duas lâminas da túnica vaginal há uma cavidade preenchida por líquido.

Fonte: Netter (2011)
Epidídimo e testículo seccionado (túnica vaginal foi aberta). Fonte: autoria própria.

Epidídimo

Estrutura localizada acima de cada testículo, possuindo uma cabeça, um corpo e uma cauda, a qual é contínua com o ducto deferente. É o local de armazenamento e maturação dos espermatozoides.

Funículo espermático

O funículo espermático corresponde a estrutura tubular revestida por fáscias que abrange outras estruturas que saem e entram no testículo, como o ducto deferente, artérias, veias, nervos e vasos linfáticos, unidas por tecido conjuntivo frouxo.

Onde começa e termina o funículo?

Ele tem início no anel inguinal profundo, atravessa o canal inguinal, em seguida, sai no anel inguinal superficial e termina na margem posterior do testículo.

Glândulas

O líquido alcalino, leitoso e pegajoso que é ejaculado denomina-se sêmen e consiste em uma mistura de espermatozoides e secreções glandulares, produzidas pela próstata e pela glândula seminal. As secreções oferecem aos espermatozoides um meio de transporte, nutrientes e proteção contra o ambiente ácido.

Próstata

É a maior glândula do sistema genital masculino, possui formato piramidal e se estende do fundo da bexiga (base da próstata) até a parte membranácea da uretra masculina (ápice da próstata), de modo a envolver a parte prostática da uretra. A próstata contém vários ductos (20 a 30) responsáveis por secretar seu líquido prostático. Eles estão localizados ao lado do colículo seminal, a elevação arredondada com uma fenda no seu centro, denominado utrículo prostático.

Qual a característica do líquido prostático?

A próstata produz e secreta um líquido leitoso ácido, que compõe 25% do sêmen, rico em enzimas que quebram as proteínas de coagulação das glândulas seminais, o líquido prostático diminui a quantidade de bactérias presentes na uretra masculina e na vagina.

Fonte: Netter (2011)
Fonte: Netter (2011)

Glândulas seminais

São duas estruturas alongadas com fundo cego voltado superiormente, situadas entre a bexiga e o reto, e o ducto deferente e a próstata. Inferiormente, sua extremidade torna-se reta para formar o ducto da glândula seminal – une-se a ampola do ducto deferente para construir o ducto ejaculatório.

Qual a função do líquido seminal?

As glândulas seminais secretam um líquido viscoso alcalino que ajuda a neutralizar o meio ácido da uretra masculina e da vagina, auxilia na coagulação do sêmen após a ejaculação e fornece frutose para a produção de ATP pelos espermatozoides, o que contribui para a mobilidade e viabilidade dos gametas. O líquido seminal contribui com a maior parte do sêmen, em cerca de 60%, por isso, tem caráter alcalino.

Órgãos genitais internos masculinos em vista posterior; bexiga urinária seccionada. Fonte: autoria própria.

Glândulas bulbouretrais

São duas pequenas glândulas arredondadas do tamanho de uma ervilha, elas se encontram posterolateralmente à parte membranácea da uretra e posteroinferiormente à próstata.

Sobre o líquido dessas glândulas, o que distingue-o dos outros?

As glândulas bulbouretrais secretam um líquido alcalino (5% do sêmen) que neutraliza o meio ácido do pênis e do canal vaginal, e, ao mesmo tempo, também produzem a mucosa que lubrifica a uretra e a ponta do pênis, a fim de diminuir os danos aos espermatozoides. Esse líquido é levado por meio de um ducto até a parte esponjosa da uretra.

Uretra

Convém lembrar que a uretra atende aos sistemas urinário e reprodutor masculino simultaneamente, de toda forma, a parte intramural não está envolvida no sistema reprodutor.

Fonte: Netter (2011)

Qual o trajeto do sêmen?

Sendo produzidos nos túbulos seminíferos (contorcidos e retos), o espermatozoide é conduzido para a rede testicular e, logo em seguida, passam pelos dúctulos eferentes e rumam para o ducto do epidídimo, de onde continuam como ducto deferente. Este é envolvido pelo funículo espermático e se une ao ducto da glândula seminal, formando o ducto ejaculatório que desemboca na uretra prostática, percorre a uretra membranácea e esponjosa, para então sair para o meio externo pelo óstio externo da uretra.

Fonte: Netter (2011)

Escroto

O escroto é um saco cutâneo fibromuscular que abriga o testículo e as estruturas associadas, situado posteroinferiormente ao pênis e abaixo da sínfise púbica. A pele do escroto é fina, pigmentada e, especialmente no frio, é enrugada, já que ele encolhe-se junto ao testículo devido a contração do músculo dartos a fim de realizar uma termorregulação para a espermatogênese.

Externamente, ele é separado em duas porções laterais pela rafe do escroto, a qual é contínua anteriormente pela rafe do pênis e posteriormente pela rafe do períneo. Internamente, ele é dividido pelo septo do escroto em dois compartimentos, cada um acomodando um testículo.

Fonte: Netter (2011)

Pênis

É o órgão masculino da cópula, que consiste em uma raiz, corpo — porção livre que possui uma rafe em sua face ventral — e glande, revestido por pele e fáscias.

A raiz do pênis é a porção fixa do pênis formada por 2 ramos, os quais originam 2 corpos cavernosos, e 1 um bulbo, que se continua como o corpo esponjoso. Este é o mais delgado dos três corpos e possui em seu interior um canal correspondente a parte esponjosa da uretra, e uma fossa navicular, além de se expandir como a glande do pênis.

Fonte: Netter (2011)

A glande é a extremidade do pênis que possui uma coroa — margem da glande projetada na sua base e sobreposta ao colo; um colo — a separar o corpo do pênis da glande; um óstio externo da uretra — orifício por onde sai a urina e o sêmen; o prepúcio — que reveste o corpo e a glande do pênis; e um frênulo do prepúcio — parte que fixa o prepúcio a glande.

O que é a circuncisão?

A circuncisão é a retirada cirúrgica do prepúcio do pênis, ela pode ser realizada por motivos religiosos ou em homens com fimose, isto é, caso onde há o estreitamento do prepúcio, dificultando a retração do mesmo.

Fonte: Netter (2011)
Pênis seccionado. Fonte: autoria própria.

Como ocorre a ereção do pênis?

A ereção é um processo neurovascular (resposta do SNA parassimpático) iniciado pelo relaxamento da musculatura dos corpos cavernosos. De forma que, rapidamente, o estímulo sexual provoca um influxo de sangue, acarretando no preenchimento dos espaços cavernosos e levando à tumescência, devida à obstrução das veias. Ainda assim, a uretra é mantida aberta, permitindo a ejaculação (resposta simpática) do sêmen, a qual é provocada pela contração dessa mesma musculatura, e, em seguida, a detumescência do pênis.

Autores:

Jade Louise A. M. Padilha Silva: Acadêmica em Fisioterapia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Mércia Lima de Melo:Acadêmica do Curso de Licenciatura em Educação Física na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Referências

MOORE, K.L; DALLEY, A. F; AGUR, A. M. R. Anatomia Orientada para Clínica. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 5ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

STANDRING, S. Gray’s anatomia. 40ª ed. Rio de Janeiro : Elsevier, 2010.

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