2- Coração

O sistema cardiovascular é composto por uma série de vasos que estão conectados a um órgão cônico fibromuscular oco e contrátil, o coração. Assim, ele é responsável por realizar o transporte de oxigênio e nutrientes para órgãos e tecidos, assim como remover resíduos metabólicos do organismo. Além disso, esse sistema se relaciona ao sistema linfático, o qual será abordado em outro tópico.

Qual a localização do coração?

Antes de mais nada é importante identificar não só a localização, como também a posição do coração na caixa torácica. Considerando a posição anatômica, ele está situado obliquamente ²/3 à esquerda e 1/3 à direita do plano mediano no mediastino inferior médio, com seu ápice voltado anteriormente e para a esquerda em 45° em relação ao plano transversal; já sua base está voltada posteriormente e para a direita.

Ilustração da disposição do coração no tórax. Fonte: SOBOTTA, 2006

O que reveste e quais são as camadas do coração?

O coração é revestido por um saco fibrosseroso denominado pericárdio. O pericárdio fibroso corresponde ao saco externo, enquanto o interno – o pericárdio seroso – possui duas lâminas entre as quais há uma cavidade pericárdica preenchida por um líquido que reduz o atrito entre elas. Enquanto a lâmina parietal está aderida ao pericárdio fibroso, a lâmina visceral relaciona-se ao epicárdio, a camada mais superficial do coração. Além do epicárdio, ainda há duas outras camadas, a mais interna é denominada endocárdio e a intermediária é o miocárdio, constituída por músculo estriado cardíaco.

Quais são as faces do coração?

O coração possui uma face esternocostal já que o esterno e as costelas estão na sua frente; uma face pulmonar, área lateral em que os pulmões mantém contato com o coração ao envolvê-lo e uma face diafragmática, correspondendo à superfície inferior em que o coração repousa sobre o diafragma. Na visão anterior do coração pode ser visto o tronco pulmonar e, posteriormente, a artéria aorta. Já na visão posterior do coração, visualizamos as veias cavas e as veias pulmonares.

O se pode facilmente visualizar no coração externamente?

Quanto à sua morfologia externa, podemos visualizar anteriormente na base: os dois átrios com suas respectivas aurículas, os ventrículos direito e esquerdo, o tronco pulmonar, frente a artéria aorta; e as artérias coronárias com seus ramos. Posteriormente é possível observarmos as veias cavas superior e inferior, as veias pulmonares, o sulco e o seio coronário, e o sulco interventricular posterior que abriga o ramo interventricular posterior da a. coronária direita.

A artéria aorta possui, além de um arco e um ramo descendente, um ramo ascendente por onde originam-se as artérias coronárias direita e esquerda. Elas são responsáveis pela irrigação própria do coração, de forma que a direita se bifurcará em um ramo interventricular posterior e um ramo marginal, enquanto que a esquerda origina o ramo circunflexo e o interventricular anterior. Por sua vez, a drenagem do coração é realizada pelas veias que levam o sangue ao seio coronário, e ele, por sua vez, drena esse sangue para o átrio direito.

Vista anterior do coração. Fonte: SOBOTTA, 2006
Vista posterior do coração. Fonte: SOBOTTA, 2006.

O que se pode visualizar no coração internamente?

A morfologia interna do coração pode ser didaticamente dividida de acordo com suas câmaras.

  • Átrio direito e aurícula direita: são maiores e revestidos pelo músculo pectíneo. Eles recebem o sangue proveniente das veias cavas e ejetam-o para os ventrículos, mediante a abertura da valva atrioventricular direita ou tricúspide (recebe esse nome por possuir 3 válvulas).
  • Átrio esquerdo e aurícula esquerda: o átrio esquerdo é menor, mais espesso que o direito e não possui o músculo pectíneo. Mas a aurícula esquerda, ainda que também seja menor, possui m. pectíneo. O átrio esquerdo recebe por meio das veias pulmonares o sangue que foi oxigenado nos pulmões (processo de hematose), no momento em que a valva atrioventricular esquerda ou bicúspide (2 válvulas) abre, o fluxo sanguíneo do átrio para o ventrículo esquerdo é permitido.
  • Ventrículo direito: a sua parede é mais delgada que do lado oposto, em uma proporção de 1:3. Essa câmara mantém como passagem para o tronco pulmonar, a valva semilunar do tronco.
  • Ventrículo esquerdo: sua parede muscular é mais espessa e sua cavidade é oval, de modo a formar o ápice do coração. O ventrículo esquerdo possui a valva semilunar aórtica.

Em ambos os ventrículos é possível encontrar as trabéculas cárneas, elevações musculares irregulares; cordas tendíneas, conectam as valvas aos músculos papilares, que ao relaxarem abrem as valvas atrioventriculares. As valvas, cada uma com um óstio, são formadas por lâminas descontínuas de tecido conjuntivo denso que apresentam válvulas – fechadas elas evitam o refluxo do sangue e abertas elas permitem a passagem do sangue de uma câmara para a outra, para os pulmões e para o corpo. Além das valvas atrioventriculares que já foram abordadas anteriormente, há as valvas semilunares da aorta e do tronco pulmonar, cada uma possui 3 válvulas.

Entre os átrios há o septo interatrial, entre os ventrículos há o septo interventricular e entre os átrios e ventrículos encontram-se os septos atrioventriculares.

Fonte: Netter (2015).

Como o sangue circula no nosso organismo?

Existem duas circulações sanguíneas, uma pequena e uma grande, responsáveis por transportar o sangue através do coração e dos vasos.

  • Circulação Pulmonar: também chamada de pequena circulação, relaciona-se com o lado direito do coração, rico em gás carbônico; inicia-se no ventrículo direito, de onde o sangue passa pela valva semilunar pulmonar, dirigindo-se para o tronco pulmonar, que bifurca-se em artéria pulmonar direita e esquerda. Ao chegar na rede capilar dos pulmões, o sangue passa pelo processo de hematose (ou troca gasosa, no qual o sangue rico em gás carbônico torna-se rico em gás oxigênio) e retorna por meio das veias pulmonares para o átrio esquerdo.
  • Circulação Sistêmica: também chamada de grande circulação, relaciona-se com o lado esquerdo do coração, rico em gás oxigênio; inicia-se no ventrículo esquerdo, de onde o sangue flui pela valva semilunar aórtica e percorre todas as partes da artéria aorta – ascendente, arco e descendente – encarregadas de distribuir o sangue por todo o organismo para, só então, retornar para o átrio direito por meio das veias cavas superior e inferior.

O que é a condução elétrica cardíaca?

O funcionamento do coração se dá mediante um sistema elétrico de condução cardíaco que controla a ritmicidade automática do mecanismo de sístole (contração) e diástole (relaxamento) do m. cardíaco. Para tanto, existe uma estrutura elíptica situada na junção da parede do átrio direito com a veia cava superior e que atua como um marcapasso natural, é o nó sinoatrial. A partir disso, o impulso cardíaco é propagado aos átrio pelas junções comunicantes, contraindo-os e enchendo os ventrículos. O estímulo é propagado às vias internodais, situadas nas paredes atriais, graças a elas o impulso chega ao nó atrioventricular. Este nó situa-se no septo atrioventricular e retarda a condução, permitindo a contração total dos átrios antes que os ventrículos a façam, isso é o platô. Somado a isso, o feixe atrioventricular, subdividido em ramos direito e esquerdo, percorre o septo interventricular a fim de conduzir o impulso dos átrios para os ventrículos. No ápice do coração, o potencial é propagado pelos ramos subendocárdicos ou fibras de Purkinje, que ascendem pelo restante da parede ventricular, contraindo-a.

Fonte: Netter (2015)

Quais as principais diferenças entre veias e artérias?

Os vasos sanguíneos podem ser descritos como os que chegam ao coração – as veias, os que saem do coração – as artérias, e os que fazem a troca de nutrientes entre esses dois vasos – os capilares. As artérias e veias são estruturadas por três túnicas em comum: adventícia, média e íntima; mas como as artérias transportam sangue sob alta pressão, possuem a túnica média mais espessa (devido a presença de um tecido muscular liso), diferente das veias. Por sua vez, as veias e vênulas possuem as paredes mais finas e distensíveis, por possuírem menos tecido elástico.          

Coração → Artérias → Arteríolas → Capilares → Vênulas → Veias → Coração

Quando as veias perdem sua elasticidade e dilatam por uma sobrecarga pelo aumento de pressão, elas são denominadas de veias varicosas, fazendo com que as válvulas (túnica íntima com endotélio), que auxiliam a subida do sangue até o coração, não funcione de forma eficiente.

Com relação às artérias, podem ser superficiais – calibre reduzido e distribuição irregular; ou profundas – estão protegidas mais internamente e possuem veias satélites as acompanhando. Além disso, as artérias principais emitem ramos terminais – quando seu tronco principal deixa de existir; e colaterais – quando seu tronco principal continua a existir. Já com relação às veias, elas podem ser de três tipos: superficiais – subcutâneas e frequentemente visíveis; profundas solitárias ou satélites, quando, respectivamente, não acompanham e acompanham as artérias profundas, respectivamente; e comunicantes – grande número e fazem a comunicação entre as veias superficiais e profundas. 

Referências:

GARTNER, L. P.; HIATT, J. I. Histologia essencial. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2012.

MOORE, K.L; DALLEY, A. F; AGUR, A. M. R. Anatomia Orientada para Clínica. 7. ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2017.

OVALLE, W.; NAHIRNEY, P. C. Netter Bases da Histologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2014.

STANDRING, S. Gray’s anatomia. 40ª ed. Rio de Janeiro : Elsevier, 2010.

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