Bento J Abreu
Normalmente só ouvimos falar do túnel do tarso, uma canal osteofibroso presente na região posteromedial do tornozelo, quando uma neuropatia ali se instala. Trata-se da chamada síndrome do túnel do tarso, uma condição rara que somente foi caracterizada em 1962 por Keck e Lam. Essa síndrome consiste na compressão do nervo tibial posterior ou de algum de seus ramos por um estreitamento formado pelo retináculo dos flexores (McSweeney e Cichero, 2015). Com o aumento da pressão na região, o nervo tibial posterior desenvolve um processo isquêmico e inflamatório que promove alterações na sensibilidade na região plantar e no tornozelo (posteromedialmente), tais como dor em queimação, dor irradiada, formigamento e dormência.
Do ponto de vista anatômico, o túnel do carpo possui bordas. A borda inferior é formada pelas paredes mediais da tíbia (distalmente), sustentáculo do tálus e corpo do calcâneo. O retináculo dos flexores forma a borda superficial do túnel, a qual apresenta um trajeto oblíquo que vai do maléolo medial até o calcâneo, medialmente. Se a margem distal do túnel do carpo é conhecida como porta pedis (ou seja, a porta do pé), a parte mais distal é estreita em largura e se funde com a fáscia superficial e profunda do músculo abdutor do hálux (McSweeney e Cichero, 2015).
Além do nervo tibial posterior, outras estruturas trespassam esse canal: o tendão do músculo tibial posterior, o tendão do músculo flexor longo dos dedos, artéria e veias tibiais posteriores e o tendão do músculo flexor longo do hálux.

Referências:
McSweeney SC, Cichero M. Tarsal tunnel syndrome-A narrative literature review. Foot (Edinb). 2015 Dec;25(4):244-50. doi: 10.1016/j.foot.2015.08.008.