O mundo de hoje e as diferenças biológicas entre os sexos

Logo no início do século XX, o grande escritor britânico Gilbert Chesterton profetizava para os incautos: “Chegará o dia em que teremos que provar ao mundo que a grama é verde”.

Bem, parece que tal dia chegou ou talvez esteja tão próximo que mal nos damos conta. O motivo para tal indagação? Basta observarmos as notícias destacadas na grande mídia e replicadas por uma infinidade de veículos de comunicação para percebermos que o mundo está completamente virado ao avesso. Para este humilde escriba, o estopim foi a recente reportagem que aborda sobre um homem ter sido eleito uma das “mulheres mais sexy do mundo”. Confuso, não?! Para piorar, no mesmo concurso uma mulher foi muito bem avaliada, porém em uma disputa entre homens… 

https://istoe.com.br/revista-elege-pabllo-vittar-como-a-13a-mulher-mais-sexy-de-2018/. Acesso em 10/12/2018.

Apesar de qualquer criança reconhecer grave inconsistência numa matéria dessas ou mesmo ser considerada um chiste por demais, a celeuma é muito mais séria do que imaginamos. Para supostamente não ferir os direitos de uma minoria fragilizada (SIC), tal desvario interfere com a nossa percepção da realidade e reduz a inequívoca observação lógica das diferenças biológicas entre os sexos à uma ideologia pautada na construção social.

É surreal ter que redigir neste singelo espaço que homens não possuem órgãos femininos como ovários, útero, mesossalpinge, ligamentos largo e redondo, bulbo do vestíbulo, glândulas vestibulares, escavações retouterina e vesicouterina etc. Por outro lado, não existem mulheres com testículos, epidídimo, próstata, glândulas seminais, glândulas bulbouretrais, ramos do pênis, bulbo do pênis, corpos cavernosos e corpo esponjoso, por exemplo.

Algumas diferenças são mais sutis, porém representam fatores de diferenciação facilmente observáveis entre os sexos. Foquemos agora no sistema esquelético: no homem as órbitas são geralmente mais quadriláteras; os processos mastoides são mais proeminentes; a glabela é mais pontiaguda; o ângulo da mandíbula tende a ser menor que 125 graus; o palato duro possui uma disposição do tipo triangular; a curvatura sacral é mais vertical; o ângulo interpúbico é menor; a abertura menor da pelve e a base do sacro são mais estreitos; o esqueleto masculino é mais pesado e ainda existem discrepâncias nas costelas e no esterno, entre outros ossos.

Outras diferenças não podem ser percebidas morfologicamente mas representam características prevalentes em determinado sexo. Vejamos algumas delas a seguir. Os homens costumam enxergar melhor que as mulheres, pois possuem uma retina mais espessa, repleta de células M. Por outro lado, as mulheres ouvem melhor pois apresentam cerca de 11% mais neurônios nos centros cerebrais responsáveis pela linguagem e audição. Faces tendem a despertar a atenção de bebês do sexo feminino, enquanto objetos se movendo através do campo visual captam maior atenção de bebês do sexo masculino. Homens e mulheres preferem desenhar coisas diferentes. Quando em grupo, comportam-se de forma distinta e a própria música é interpretada de forma discrepante entre os sexos. Talvez a característica mais clássica possa ser evidenciada quando meninos e meninas estão brincando: num experimento onde fora encorajado o gênero-neutro para crianças, os meninos preferiram brincar com caminhões, enquanto as meninas preferiram brincar de bonecas.

Tomemos outros exemplos: os homens são naturalmente mais impulsivos e aceitam mais riscos; as mulheres possuem maior resistência à dor; a concentração de enzimas é diferente entre os sexos (álcool dehidrogenase e aldeído dehidrogenase, por exemplo); determinadas doenças estão atreladas ou possuem grande prevalência em determinado sexo etc.

Todas os exemplos supracitados, assim como inúmeros outros demonstram que o homem é, pasmem vocês!, diferente da mulher… Trata-se de seres únicos que se complementam. Não considerar tais discrepâncias é anular a essência de cada sexo, ou subjugá-los frente à pueril ideologia que propaga que somos apenas frutos mal-acabados do ambiente. 

Ora, a ideologia de gênero, muitas vezes utilizada para se referir à uma desordem como a disforia de gênero, já foi demolida pela simples observação da existência de marcadores genéticos XX e XY. Sim, a biologia é determinista e baseada nos fatos e, um deles, envolve a perpetuação da espécie. Lex dura sed lex. A simples administração de estrógeno e testosterona, associado ao uso de peruca, batom e cinta-liga, ou de próteses diversas e roupas do sexo oposto, envolve apenas um recorte da realidade. É fantasioso relacionar o sexo de determinado indivíduo apenas às suas características sexuais secundárias, potencializadas a partir de um coquetel hormonal.

Somado a isto, o Colégio Americano de Pediatria (do inglês ACP),
em declaração de 2017, reafirma que sexo biológico é diferente de gênero. Este sim, um conceito sociológico e psicológico diferente dos fatores biológicos. Interessantemente, a grande maioria dos indivíduos que sentem algum tipo de confusão acerca de seu sexo na adolescência (98% dos meninos e 88% das meninas) vão aceitar seu sexo biológico normalmente durante o decorrer da adolescência.  Assim, impor uma falsa representação de seu sexo biológico, seja por meio de coquetéis hormonais ou mesmo por cirurgias, pode até mesmo ser considerado abuso infantil pelo ACP. Na  verdade, o índice de suicídios em indivíduos que utilizam “hormônios sexuais cruzados” e/ou que se submeteram à cirurgia para mudança de sexo é 20 vezes superior se comparado ao restante da população.

Em tempo: nos próximos anos veremos grande parte dos recordes de atletas do sexo feminino serem desbaratados por atletas “trans”. Não é ingenuidade antever que o esporte feminino encontrará um futuro nebuloso adiante…

Dr Bento J Abreu

Editor do site, professor, pesquisador e interessado em assuntos atuais

Referências:

American Psychiatric Association: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Arlington, VA, American Psychiatric Association, 2013 (451-459). See page 455 re: rates of persistence of gender dysphoria.

Brizendine. The Female Brain. New York: Morgan Road, 2006. Print.

Brizendine. The Male Brain. New York: Broadway, 2010. Print.

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3 comments

  1. Discordo de uma parte do texto. Pois creio que sim, existem homens que podem possuir órgãos femininos e mulheres que podem possuir órgãos masculinos, assim como existem os intersexo. A condição de macho ou fêmea e especificidades de cada sexo realmente é algo anatomicamente comparável e notado, mas quanto à ser homem e mulher, não, pois dizer isso conpactua com a preposição de que existir enquanto mulher ou homem se restringe apenas as nossas genitais e variações anatômicas.

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    1. Obrigado pelo comentário. Na verdade, no exemplo citado, encontra-se um típico caso de anomalia. Portanto, foge da normalidade anatômica e não deve ser considerado um padrão.
      É importante também que se discrimine sexo de gênero e de outras disforias associadas.

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