Os modelos anatômicos de cera de Petrus Koning

Uma característica importante do estudo morfológico envolve o correto entendimento das relações espaciais do corpo humano, bem como de suas partes. Isto pode ser obtido ao longo da história por meio da dissecação de cadáveres e pela visualização de imagens em atlas e, mais recentemente, pela utilização de aplicativos e vídeos diversos.

Entretanto, no final do século XVIII havia incertezas quanto à obtenção de cadáveres para o estudo científico. Nessa época, os modelos anatômicos de cera tornaram-se uma forma engenhosa e, por que não?!, mais bela para o estudo anatômico. Afinal, tais modelos poderiam ser desenvolvidos de acordo com determinada solicitação e não iriam se decompor ou cheirar mal.

Os primeiros modelos de cera surgiram na Itália e muitos podem ser observados no museu La Specola. Tratava-se de peças modeladas por um artista e/ou anatomista tendo como base a modelagem a partir de órgãos humanos reais. A disposição de cores vivas e o aspecto artístico tornava sua observação mais impressionante. Se as partes internas preservavam as informações dispostas nas obras de Vesalius ou Albinus, a morfologia externa do modelo era geralmente idealizada pelo escultor por meio da adição de cabelos e cílios postiços, olhos de vidro e fisionomia que remetia à Vênus nos modelos femininos, por exemplo.

Talvez o realismo dos modelos anatômicos de cera tenha chegado ao seu ápice com as obras de Petrus Koning (1787-1834), notável anatomista da Universidade de Utrecht. Seus mais de 200 modelos de cera incorporavam um aspecto até então pouco explorado: a adição de camadas amarelas de gordura as quais eram omitidas por outros artistas e que, mesmo nos modelos atuais, ainda não são devidamente demonstradas. Ora, qualquer estudante de anatomia sabe que o tecido adiposo é componente fundamental e encontra-se invariavelmente disposto pelo corpo.

Muitas de suas obras estão compiladas em “Petrus Koning, anatomie in was”, de 2006 e podem ser observadas no Museu de Anatomia de Utrecht, Holanda.

Referência:

Hugh Aldersey- Willians. Anatomias. Uma História Cultural do Corpo Humano. Editora Record, Rio de Janeiro. São Paulo. 2018

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