Conheça a história de Mike, o galo sem cabeça

Em 1945, em uma pacata fazenda no Estado do Colorado, Estados Unidos, uma curiosa história envolvendo um galo se sucedeu. Enquanto matava frangos por decapitação, um método ainda comum em granjas de menor porte no Brasil, o fazendeiro Lloyd Olsen percebeu que um de seus animais continuava vivo e andava tranquilamente pelo local.

Após verificar que o animal resistira no dia seguinte, a história se espalhou na cidade como o caso do “milagroso frango sem cabeça”. Nas semanas que se passaram, Olsen foi convidado a apresentar seu galo, batizado como Mike, numa série de apresentações pelo país e juntamente a outras bizarrices como um vitelo de duas cabeças! Suas viagens foram documentadas em um diário e o grupo percorreu inúmeras cidades e inclusive universidades, onde cientistas buscavam averiguar o porquê de o animal continuar vivo mesmo sem a cabeça.

Mike subia poleiros, emitia um som gorgolejante com a garganta e se desenvolvia normalmente. Era alimentado por meio de uma comida pastosa à base de milho e água, cuidadosamente injetados em seu esôfago por meio de um conta-gotas. Isso o fez ganhar peso durante sua vida. Ocasionalmente uma seringa era utilizada para desobstruir o muco das vias respiratórios do animal.

O “frango sem cabeça” viveu como celebridade por 18 meses, quando começou a sufocar durante à noite em um hotel no Estado do Arizona, vindo a falecer em seguida. Inadvertidamente, Lloyd Olsen havia se esquecido das seringas de limpeza e alimentação no local do show.

Muitas tentativas de se reproduzir o acontecido ocorreram e apresentaram resultados pífios. Mas como a história de Mike foi possível? No exame de sua carcaça, constatou-se que a veia jugular não fora seccionada durante a decapitação e um coágulo no vaso havia impedido a morte por hemorragia. Além disso, Olsen não decapitara completamente o animal, preservando grande parte do seu tronco cerebral. Como é sabido, o tronco encefálico é formado, de caudal para cranial, por bulbo, ponte e mesencéfalo. Tais partes funcionam para a condução de vias ascendentes e descendentes, para a integração da atividade respiratória e vascular, percepção da dor e certa regulação da consciência, além de conter os núcleos da maioria dos nervos cranianos. Assim, as funções básicas que regulariam a homeostase corporal estavam sendo perfeitamente gerenciadas mesmo com a ausência de centros cerebrais superiores.

Bento J Abreu

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