Atuação do fisioterapeuta na pandemia do COVID-19

Whitney Houston Barbosa dos Santos Silva1 & Tamara Martins Cunha2

1Fisioterapeuta pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), residente em cardiologia no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN).

2Fisioterapeuta pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), residente em Terapia Intensiva Adulto no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN).

A pandemia causada pelo coronavírus (COVID-19) teve seu primeiro relato registrado em uma província da China – Wuhan Hubei, em dezembro de 2019, e logo se disseminou pelo mundo. No Brasil, há aproximadamente 13.717 casos e 667 mortes (em 6 de abril de 2020), sucedendo-se a transmissão comunitária da COVID-19 em todo o território nacional (OPAS, 2010). Vários pesquisadores têm se dedicado diariamente a buscar o melhor manejo da infecção do trato respiratório causada pelo SARS-CoV-2 na sua forma grave – Síndrome Respiratória Aguda Severa, a qual produz hipoxemia grave refratária à oxigenoterapia, com alterações fisiopatológicas semelhantes às encontradas na Síndrome do Desconforto respiratório Agudo (SDRA) (Assobrafir, 2020).

Embora a maioria das pessoas com COVID-19 desenvolva a doença de forma leve ou sem complicações, aproximadamente 14% desenvolvem doença em sua forma mais grave, a qual requer hospitalização e suporte de oxigênio. Destes indivíduos, cerca de 5% necessitam de internação em unidade de terapia intensiva (UTI), de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020).

A insuficiência respiratória hipoxêmica na SDRA geralmente resulta de um distúrbio intrapulmonar entre a ventilação e a perfusão ou shunt, a qual geralmente precisa da ventilação mecânica invasiva. Sendo assim, a intubação endotraqueal deve ser realizada por um profissional treinado e experiente, utilizando precauções de disseminação do vírus pelo ambiente (OMS, 2020).  Para o cuidado desses pacientes infectados, recomenda-se uma equipe multidisciplinar, onde profissionais como médicos pneumologistas e infectologistas, fisioterapeutas  e enfermeiros estejam na linha de frente ao combate da doença (Lazzeri et al., 2020).

Dessa forma, os estudos têm demonstrado que deve-se minimizar a exposição desnecessária da equipe. Então, quando de fato o fisioterapeuta entra em ação? Primeiramente, não há demanda para aqueles pacientes que apresentam apenas sintomas leves, como febre, tosse seca e eficaz (Tromas et al 2020). Assim, somente pacientes suspeitos e/ou confirmados que apresentam alteração nos exames de imagem, como tomografia computadorizada e radiografia, tosse produtiva, dificuldade para expectorar ou alguma comorbidade respiratória e/ou neuromuscular, entre outras, necessitam de intervenção fisioterapêutica (OMS, 2020; Thomas et al., 2020). E considerando-se a reabilitação motora, necessitam de intervenção fisioterapêutica apenas os pacientes que apresentam declínio funcional ou que tenham fraqueza muscular adquirida na UTI (Thomas et al., 2020).

Já aqueles pacientes que apresentarem a forma grave, referindo sintomas sugestivos de pneumonia, aumento progressivo da febre, da tosse, da necessidade de oxigênio suplementar e dificuldade para respirar, necessitam de cuidados intensivos nos quais a fisioterapia é indispensável (Assobrafir, 2020). Isto ocorre tendo em vista que as intervenções fisioterapêuticas são inúmeras e notadamente envolvem o gerenciamento de oxigenioterapia, manobras de higiene brônquica, terapia de reexpansão pulmonar e manejo dos ventiladores mecânicos, como assim preconizado pela (OMS, 2020)

A oxigeniterapia é indicada para pacientes estáveis com hipoxemia a fim de manter uma saturação > 90%. Em caso de piora, associado à hipercapnia, acidemia, instabilidade hemodinâmica e rebaixamento do nível de consciência, não se deve retardar a intubação. Considerando sempre a ventilação protetora, deve-se estabelecer volume corrente de 4 a 6 ml/kg do peso predito e uso de sistema de aspiração fechado, conforme já foi recomendado (Assobrafir, 2020; Chacko et al., 2015).

Outro ponto a ser observado é o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscara N95, capote impermeável, luvas, óculos, proteção facial, touca e propés. Os profissionais devem ser treinados para observar a maneira correta de colocação e retirada, a fim de evitar contaminação (HWO et al., 2020). Manter um distanciamento adequado de pelo menos 2 m entre pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19, fornecer máscaras cirúrgicas para pacientes sintomáticos e, principalmente, admitir de pacientes com suspeita da doença em salas privadas são considerações essenciais. (Murthy et al., 2020).

Sendo assim, diminuir os riscos de ampliação de surtos através da transmissão de vírus dentro do hospital, assim como para outros pacientes e profissionais de saúde é de extrema importância para o controle da transmissão do COVID-19 em nosso país (OPAS, 2020).

Referências

Assobrafir. (2020). COVID-19. Intervenção na insuficiência respiratória aguda, 19 de março de 2020. Assobrafir.

Site da Organização Panamericana da Saúde (OPAS), acesso e 07/03/2020. https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875

World Health Organization. (2020). Clinical management of severe acute respiratory infection (SARI) when COVID-19 disease is suspected: interim guidance, 13 March 2020. World Health Organization.

Lazzeri, Marta; Lanza, Andrea. Respiratory physiotherapy in patients with COVID-19 infection in acute setting: a Position Paper of the Italian Association of Respiratory Physiotherapists (ARIR)/ Monaldi Archives for Chest Disease 2020; volume 90:1285.

Thomas P, Baldwin C, Bissett B, Boden I, Gosselink R, Granger C et al. Physiotherapy management for COVID-19 in the acute hospital setting: clinical practice recommendations. Journal of Physiotherapy. 2020.

Chacko B, Peter JV, Tharyan P, John G, Jeyaseelan L. Pressure-controlled versus volume-controlled ventilation for acute respiratory failure due to acute lung injury (ALI) or acute respiratory distress syndrome (ARDS). Cochrane Database Syst Rev. 2015.

WHO. Infection prevention and control during health care when novel coronavirus (nCoV) infection is suspected. Interim guidance 25 January 2020.

Murthy S, Gomersall CD, Fowler RA. Care for Critically Ill Patients With COVID-19. JAMA.Published online March 11, 2020. doi:10.1001/jama.2020.3633.

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