“A beleza salvará o mundo”

Artur Nascimento (costa_artur@hotmail.com)

Quando Aleksander Solzhenitsyn recebeu seu prêmio Nobel de literatura disse: “A beleza salvará o mundo”.

Como assim? É claro que a beleza é algo buscado e valorizado, mas parece mais uma frase de efeito sem significado real. Como a beleza poderia objetivamente salvar o mundo? Como a beleza pode realmente influir e mudar as coisas?

Um discurso, uma teoria econômica, uma ideologia política, um sistema filosófico ou uma narrativa midiática podem ser todos baseados em essência numa mentira ou numa intenção maléfica proposital, e ainda assim possuir coesão interna, parecer bem estruturada e possuir semelhança a algo verdadeiro, de forma que aquela mentira oculta, aquela distorção essencial passe despercebida. Outras teorias e narrativas podem afirmar com a mesma coesão e aparência de veracidade o exato oposto de forma convincente.

E somente muito poucas pessoas gastarão energia na investigação da verdade, tateando sobre distorções e armadilhas retóricas, muitas vezes só encontrando uma síntese convincente da verdade depois de muito tempo. A maioria abraçará um ou outro lado e propagará aquilo. Como Solzhenitsyn mesmo diz: qualquer um pode ser levado a “afirmar aquilo que o coração não confirma”.

A Beleza (e a feiura), porém, carrega a sua confirmação na sua própria expressão.

Nas obras de arte, quando elas buscam a verdade, elas nos encantam quando mostram algo belo e nos horroriza quando mostra algo feio. Quando você vê um negócio feio acontecendo, um comportamento maldoso e covarde, aquilo te toca de uma forma que nenhuma retórica será capaz de negá-lo. É por isso que você ensina à criança que tal comportamento é feio, e ele entende, porque faz a analogia com o que é bonito, mesmo que não tenha absorvido os conceitos morais que regem os comportamento sociais.

Conceitos fabricados, métodos impróprios, a maldade, o assédio moral, a hipocrisia, a covardia e a soberba podem perdurar e se esconder longamente quando estão no debate jornalístico, no discurso público, na peça de campanha, no roteiro do cinema ou numa matéria ou programa editado. Mas não se sustentam quando testados na vida real e colocado cruamente em imagens. O que é belo se mostra belo, o que é feio se mostra feio.

Assim uma ONG desonesta pode manter sua narrativa de que o Brasil é o país mais transfóbico do mundo, mesmo usando dados falsos para construir essa narrativa. Mas a injustiça de um brutamontes de silicone e peruca massacrando e retirando as chances justas de competidoras adversárias mulheres biológicas no esporte, quando exposta em vídeos e fotos é gritante. Aquilo é feio porque é injusto, porque a beleza tem essa ligação com a ordem justa das coisas. Só acha aquilo certo quem já perdeu a capacidade de compreender sensorialmente os dados da realidade.

Assim, uma massa enorme de gente anônima pode empreender um ato de cancelamento na internet da poltrona de casa, condenando e destruindo uma pessoa sem admitir o debate racional, sem aprofundar no contexto e circunstâncias e achar que com isso está ajudando a “consertar” o mundo. Mas ver isso acontecendo em carne e osso, na vida real é repugnante de se ver.

Mesmo quando os problemas contidos nas raízes das narrativas, das ideologias, das revoluções e das intenções podem ser omitidos e disfarçados na retórica dos debates ou no distanciamento da internet, os conceitos de belo e feio rompem a barreira da mentira e escancaram tudo. Quando vemos algo belo queremos preservar, quando vemos algo feio queremos consertar. É a chance que é dada a uma retomada de rumos: “Não posso calar outras vozes, me valendo de um suposto lugar de fala”, “Não posso deixar o ódio, cegueira ideológica e vaidade trazer descrédito à causas justas”.

A beleza, ou sua falta, quando revelada nos dá essa chance de perceber o que está escondido.

“A Beleza salvará o mundo”.

2 comments

    1. Parabéns Sr Vladukin, que bela contra-argumentação baseada em palavrão e achaque com palavra-gatilho que nada significa além de despertar censura e emoções… Xô!, este espaço não é voltado para bandoleiros e néscios.

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