Uma breve perspectiva histórica da Fisioterapia no Brasil

A Fisioterapia teve seus primeiros passos quando, na antiguidade, os nossos ancestrais esforçavam-se para reduzir a dor esfregando o local dolorido. Já na fase de transição entre o renascimento e a fase de industrialização, o uso de recursos físicos passa a ter grande influência no mundo ocidental. Don Francisco Y Ondeano Amorós (1779-1849) que não era médico, dividiu a ginástica em quatro pontos, e um deles era a cinesioterapia com a finalidade de manutenção de uma saúde forte, tratamento de enfermidades, reeducação de convalescentes e correção de deformidades. (Lindeman, 1970, p.179).

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O nascimento da Fisioterapia enquanto profissão ocorreu no século XX, onde eventos de grande escala, como as duas grandes guerras, causaram um grande número de lesões e ferimentos graves em soldados que, através da reabilitação, almejavam readquirir um mínimo de condições para retornar a uma atividade social integrada e produtiva. Acompanhando as grandes mudanças e transformações do século XX, a Fisioterapia, que inicialmente era exercida por soldados nos campos de batalha, passou a agregar novas descobertas e técnicas às suas práticas, desenvolvendo-se como uma ciência própria e um campo específico de atuação.

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Ainda considerada uma ciência em construção, os paradigmas da profissão se encontram abertos e em evolução, sempre em busca de mais conhecimento científico, agregando valores para possibilitar uma melhor qualidade de vida, revertendo seus conceitos em prol da sociedade.

No Brasil, a Fisioterapia iniciou-se dentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em 1929, mas foi só em 1951 que foi criado o primeiro curso para formação de fisioterapeutas, na época denominados técnicos, com duração de um ano.  Em 1959 foi criada a Associação Brasileira de Fisioterapeutas (ABF), que se filiou a WCPT (World Confederation for Physical Therapy), cujo objetivo era buscar o amparo técnico-científico e sociocultural para o desenvolvimento da profissão. Somente no dia 13 de outubro de 1969, a profissão adquiriu seus direitos, por meio do Decreto-lei nº 938/69, no qual a Fisioterapia foi reconhecida como um curso de nível superior e definitivamente regulamentada.

Atualmente, é regulamentada em nível regional pelo Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CREFITO, respaldado pela Lei nº 6316, de 17 de dezembro de 1975; e em nível nacional, pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, reconhecido como uma Autarquia Federal pela Lei nº 6316, de 17 de dezembro de 1975. Por meio do COFFITO, o símbolo que representa visualmente a Fisioterapia foi aprovado e oficializado no dia 22 de fevereiro de 2002.

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O símbolo significa um elemento representativo essencial para a comunicação. A representação pode surgir como resultado de um processo natural, possibilitando ao receptor identificar o seu significado e atribuir-lhe determinada conotação. Na Fisioterapia, o símbolo significa um dos elementos de identidade visual, e é composto por duas serpentes entrelaçadas num raio de cima a baixo, uma delas da esquerda para a direita e a outra da direita para esquerda.

O símbolo brasileiro foi inicialmente elaborado pelo fisioterapeuta Carlos Alberto Esteu Tribuzy, em 1965. Segundo Tribuzy, a serpente é, há milênios, associada a sabedoria e a transmissão e utilização do conhecimento apreendido de forma sábia. Estão entrelaçadas para demonstrar o elo entre as propriedades da natureza humana, social e profissional. Representam a integração das matérias e atividades de formação profissional básica, específica e complementar. Já o raio, com seu brilho intenso, é uma forma utilizada desde a antiguidade para transmitir e identificar, de forma consciente, os valores e práticas corretas de vida.

Para elaborar o símbolo, Tribuzy utilizou a filosofia baseada nas consciências particulares e coletivas deste profissional, resgatando significados que necessitam ser lembrados e preservados. Utilizou a cor verde pois simboliza a saúde, e foi assim representado com o propósito de caracterizar essa área de atuação, representando o fisioterapeuta como um profissional que serve à saúde.

Cosme Januário de Aquino Neto 

Vinícius Dantas da Silva

Acadêmicos de Fisioterapia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

 

Referências:

Rebelato, JR, Batoné, SP. Fisioterapia no Brasil – perspectivas de evolução como campo profissional e como área de conhecimento. Editora Manole Ltda, São Paulo, 1987.

http://www.crefito3.org.br/dsn/

https://www.coffito.gov.br/nsite/

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