O professor de Anatomia deve corrigir o “português” do aluno?

Não é um alarde constatar o óbvio: a educação brasileira figura nas últimas colocações em todos os rankings internacionais disponíveis. A situação é tão vexatória que, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF), 38% dos universitários não sabem ler ou escrever devidamente, fato que desnuda o alto nível de analfabetismo funcional no país.

Obviamente essa situação não é novidade para os digníssimos colegas professores de Anatomia, justamente aqueles docentes que recepcionam os neófitos no curso superior e, têm de lidar com jovens que ainda se ajustam ao ambiente universitário e às suas inúmeras responsabilidades.

A correção de questões discursivas (cada vez mais raras nas provas) é um verdadeiro suplício para o docente que, certamente, deve ficar aturdido diante de tantos erros grosseiros na gramática e ortografia. Ora, não se solicita uma dissertação sobre “Os Lusíadas”, apenas a descrição de uma singela resposta utilizando-se o puído português brasileiro…

Diante da problemática, a indagação mais frequente que se ouve na sala do cafezinho de nossas instituições é: deve-se avaliar o bom uso da língua portuguesa numa prova de Anatomia? Na humilde opinião deste que vos escreve a resposta é sim!, por que não?! A terminologia anatômica segue regras específicas, as quais se relacionam com a nossa língua-mãe. Dispor o conteúdo de forma correta (e clara!) é um dever de qualquer estudante que visa tornar-se um profissional reconhecido em sua área.

Além disso, a inclinação da resposta redigida também pode consistir em fator determinante para melhor compreensão do texto. Sem adentrar na briga homérica entre gramáticos e linguistas (mentira, fico com os primeiros!), costumo citar que a forma de nos expressarmos é como um traje utilizado em diversas ocasiões. Considerando tal analogia, imagine que ninguém vá à praia de terno risca-de-giz; ou que seja recepcionado em uma entrevista de emprego trajando biquíni “tomara-que-caia”… Veja bem nobre leitor, ambas as indumentárias têm sua importância, porém em locais específicos. Da mesma forma, um texto mal-redigido, informal e repleto de gírias, não seria o mais indicado como resposta em uma prova de Anatomia, mas pode ser instigante em uma cart… digo, mensagem em rede social…

Mesmo que o problema tenha origem no Ensino Básico, o professor universitário não pode se eximir de sua responsabilidade em observar e avaliar o bom uso do português em suas disciplinas, sob pena de ser reduzido a mero reprodutor de conhecimento técnico numa linguagem próxima ao tupi…

Dr Bento J. Abreu

Editor do site, professor, pesquisador e interessado em assuntos atuais

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