
Bento J Abreu*
Uma despretensiosa entrevista de Jair Bolsonaro colocou em evidência uma estrutura de interesse para a Anatomia Humana. Em resposta bem-humorada a jornalistas que o questionavam sobre o conflito entre o filósofo e escritor Olavo de Carvalho e generais que ocupam postos do próprio governo, o presidente citou que costuma receber “críticas graves” e que os envolvidos deveriam saber “engolir sapo” pois, assim como ele, “engole sapos pela fosseta lacrimal”.
Na verdade, o assunto envolve o aparelho lacrimal, conjunto de glândulas e vias responsável pela produção e drenagem das lágrimas. O processo de lacrimação se inicia pelas glândulas lacrimais, estruturas que se localizam lateralmente às pálpebras superiores (região temporal superior da órbita). As lágrimas secretadas são importantes para a proteção da superfície dos olhos e, quando piscamos, espalhamos o fluido pelos olhos. Após lubrificar e limpar o bulbo do olho, as lágrimas tendem a escorrer para a região medial. Ali, são drenadas por dois pequenos orifícios – os pontos lacrimais. Estes pontos correspondem às aberturas dos canalículos lacrimais superior e inferior, os quais confluem para o saco lacrimal e, em seguida, para ducto lacrimonasal.

As lágrimas são então conduzidas para o meato nasal inferior, uma região da cavidade nasal situada inferiormente à concha nasal inferior, onde se mistura com o muco nasal. É por isso que aumentamos a produção de coriza quando choramos.
Mas o que seria então a “fosseta lacrimal”? Boa pergunta…
* Editor do site, professor, pesquisador e interessado em assuntos atuais