A lança presa ao osso das Guerras Gálicas

As Guerras Gálicas, também conhecidas como guerras romano-gaulesas, envolveram recorrentes disputas entre os romanos e distintos povos de origem celta, tais como sênones, ínsubres, boios e gesetas; e que perdurou por séculos. Foi encerrada em 52 A.C. quando Júlio César aprisionou o líder gaulês Vercingetórix e iniciou a expansão romana sobre a Europa.

Recentemente, uma foto obtida em perfil que disserta sobre História e Arte no facebook despertou a curiosidade de muitos leitores. Nesta foto que aludia às Guerras Gálicas, a ponta de uma lança (também conhecida como javelin) trespassa facilmente um osso, conforme pode ser observado na Fig 1 abaixo. Não foram fornecidas quaisquer outras informações acerca da peça.

Fig 1. Lança presa em osso. Guerras Gálicas. Fonte: Traces of History and Archeology and Art

De acordo com o Prof. Marcello Machado (Anatomia Veterinária / UFPR), o osso em questão refere-se a uma vértebra torácica, muito provavelmente de um ruminante ou mesmo de um equino de grande porte, com a ponta da lança encravada no processo espinhoso, que é longo e largo nesses animais. Realmente, o que dificulta muito a identificação da espécie é justamente o ângulo da fotografia, registrada sem qualquer posicionamento anatômico. Apesar da posição desfavorável, as características que possibilitam a identificação do osso, além do processo espinhoso, são os processos transversos curtos e as facetas articulares dos reduzidos processos articulares craniais, localizadas dorsalmente e a cada lado do arco da vértebra, sobre o qual exibem sua típica forma ovoide, conforme pode ser visualizado na Fig. 2.

Fig 2. Foto original, adicionada de legenda. Notam-se os curtos processos transversos e o longo processo espinhoso, além das facetas articulares dos processos articulares craniais, voltadas dorsalmente.

Outras questões podem permanecer vagas: não haveria oxidação do osso ao redor da ponta da lança? Essa seria realmente uma lança romana? O osso não exibiria impacto na entrada da arma e este não se fragmentaria em pedaços menores, levando-se em consideração a carga cinética envolvida na ação? Resta saber mais, inclusive, sobre a veracidade da imagem…

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