“Brasil, o país do futuro”?

Artur Nascimento (costa_artur@hotmail.com)

Dificilmente uma nação irá longe se seu povo não compartilha de uma identidade nacional. Quer queira quer não, o progresso e sucesso de uma nação só se faz coletivamente. E o que pode unir um povo em torno disso é a identidade nacional. Trata-se de um sentimento de pertencimento compartilhado coletivamente. Para que isso exista é preciso haver mitos e histórias que as pessoas considerem importantes e comuns à sua formação, fatos passados da nação que criem o sentimento num povo de que eles construíram e constroem aquilo coletivamente. Que o povo sinta-se parte, e que compartilha desses elementos formadores com seus conterrâneos, fazendo com que se considerem herdeiros desses eventos e dessas tradições. Isso o coloca num lugar do tempo, e lhe dá um papel.

Como trata-se de fatos que não presenciamos, isso só se mantêm por meio das tradições populares, ensino informal e formal, da literatura, das artes, arquitetura, da alta cultura e da cultura de entretenimento de massas. O vazio cultural no que toca a exploração da nossa história, principalmente na parte literária, dramatúrgica e de entretenimento, mostra que não temos isso. E no ensino, quando ensinam, é de forma enviesada, falsificada e depreciativa dos próprios elementos formadores da nossa nação. O que é enaltecido muitas vezes no imaginário coletivo brasileiro é a geografia e as riquezas naturais. Mas não foi nós que fizemos nada disso. Não há mérito nenhum em só ter nascido num lugar abundante. Temos uma história riquíssima, com personagens singulares e interessantes, eventos dramáticos, traumas e vitórias a serem consideradas. Mas quase não há nada.

Onde estão os poemas épicos, as peças de teatro ou óperas escritas sobre a fundação do Brasil, a independência e suas guerras, a Guerra do Paraguai, os dramas envolvendo a abolição da escravatura, o golpe republicano, os Imperadores, José Bonifácio, Leopoldina, Luis Gama, heróis de como General Osório, Cândido da Fonseca, etc? Nem um grande filme sequer sobre os heróis da FEB existe. Abundaram pornochanchadas, comédias com personagens caricatos, culto a atletas e artistas. Onde estão os filmes ou novelas sérias sobre as outras coisas? Quando existem de modo geral, são feitos de forma independente e sem alcance. Se for feito pelos grandes produtores ou grandes meios de mídia, em geral com dinheiro público, é feito para diminuir e ridicularizar…

Tomemos como exemplo Dom João VI, simplesmente o fundador do nosso país. Ele criou as bases para a formação do Brasil moderno, transformou a capital de uma colônia na capital de um reino, abriu portos, criou o núcleo político-administrativo independente de Portugal, fundou o ensino superior, o banco do Brasil, fomentou as artes e ciências no lugar que era um mero quintal de Portugal. E existe somente UM filme sobre ele! E, vamos lá!, é um filme que traz uma caricatura escatológica e cômica do homem de tapeou Napoleão. Ou seja, Dom João VI cometeu o “pecado” de criar o nosso país e o único filme feito sobre sua vida é uma paródia depreciativa e bizarra. Nada contra paródias, mas o normal seria que existissem uns 10-15 filmes ou novelas sérias sobre aquela época e uma paródia.

O tratamento dado ao 1º Imperador Dom Pedro, em geral não é diferente. Não tenho conhecimento que o fundador de um outro país seja tratado pelos condutores da cultura e ensino de forma tão pejorativa. Isso é o que se pode chamar de cuspir no prato que se come. No caso do filme, literalmente… Este, inclusive, foi financiado pelo Banco do Brasil, que por sua vez foi criado por Dom João VI. Ao contrário de um trabalho de respeito sobre as personalidades e fatos que construíram nosso país, aqueles que dominam a cultura de entretenimento, o ensino e literatura respeitam é tipos como Mariguella, Che Guevara, Fidel, que nada construíram aqui! Nem como exemplo de guerreiros servem. Mariguella era um psicopata covarde que atacava, em geral, vítimas desarmadas em emboscadas. Fidel sequer entrou em uma batalha. Che Guevara só possui um ferimento que foi aquirido por sua culpa, justamente por não saber manusear uma arma automática. Não há registro sequer de ter abatido um inimigo em combate, mas se vangloriava de atirar em gente amarrada e indefesa.

A ausência de tradições e referências históricas no imaginário das pessoas, especialmente nas gerações mais novas, é e será a causa da baixa auto-estima e da falta de sentimento de coletividade de nosso povo. Esse tipo de coisa não era para ficar restrita a pesquisadores e leitores que buscam, mas devia atingir o imaginário coletivo das massas, o que só pode ser feito por meio de uma cultura de massa. Mas nossos “intelectuais” preferem enaltecer não quem fez alguma coisa dentro de nossa construção histórica, mas aqueles se arvoram salvadores, que querem construir uma utopia no futuro. Para isso, eles pedem somente que demos a eles poder, cada vez mais! Por isso somos o “país do futuro”. Mas não há futuro para quem não conhece e referencia seu passado.

Na pintura da capa, a “Batalha do Avaí”, pintura de Pedro Américo (nascido em Areia – PB) finalizada em 1877.

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