POR QUE O MÚSCULO SE CANSA?

A pergunta é complexa e, para respondê-la, abordaremos conceitos de histologia e fisiologia. A fadiga muscular é um fenômeno comumente observado durante a prática de atividades físicas, assim como em atividades da vida diária, podendo resultar na redução do desempenho muscular. Esse fenômeno acomete principalmente o músculo estriado-esquelético, mas também pode envolver o sistema nervoso central e o aparelho cardiorrespiratório.

Quando a fadiga ocorre a partir das estruturas contráteis, possivelmente está relacionada a fatores de limitação periférica que ocorrem no meio intracelular e independem de fatores fisiológicos extracelulares. Algumas das causas mais apontadas para isso são a perda de energia para manter os músculos em atividade e o acúmulo de metabólitos e subprodutos do metabolismo celular.

A primeira causa interfere na síntese de ATP (molécula responsável pela “energia da célula”), o que pode levar à reabsorção de cálcio (íon de extrema importância para a efetuação da contração das fibras musculares).

Já entre os metabólitos que atuam na fadiga muscular, o ácido lático é o mais reconhecido por apresentar grande correlação com os íons de H+, os quais são agentes depressores da contração muscular. O ácido lático também está associado à respiração anaeróbica (produção de ATP sem uso de oxigênio pela célula). A depleção da creatina fosfato, oxigênio disponível, glicogênio, entre tantos outros fatores, também estão associados à aparição da fadiga. Já o aumento de íons H+, resultantes em grande parte da regeneração do ATP, promovem a diminuição do pH muscular, o que geralmente se evidencia em episódios de fadiga muscular. Outros fatores como a queda de oxigênio disponível, depleção do glicogênio, falha nos potenciais de ação neurais ou mesmo a formação de ácido lático também podem estar relacionados à fadiga muscular.

Quando o sistema nervoso está envolvido na fadiga muscular, pode ocorrer falha nos impulsos nervosos para os músculos ou alterações nos níveis de neurotransmissores (principalmente a dopamina) e receptores (o 5-HT é um receptor de serotonina) que são enviados pelos neurônios do encéfalo e da medula espinal. Isso pode implicar na redução dos impulsos enviados para os neurônios responsáveis pela movimentação (motoneurônios) e na redução da excitabilidade de neurônios mediadores (neurônios que transmitem a informação de um neurônio para outro).

Finalmente, quando o gerador da fadiga é o aparelho cardiorrespiratório, observa-se uma oferta inadequada de oxigênio para os músculos. Logo, os fatores limitantes do volume de oxigênio máximo têm como fator os seguintes mecanismos: capacidade de difusão pulmonar, o débito cardíaco máximo, a capacidade do sangue de conduzir oxigênio e as características do músculo esquelético.

*Ilustração de Laura Terriaga

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