Mini-entrevista

   A especialização em esportes é uma especialidade bastante concorrida e um tema que desperta grande interesse nos acadêmicos de fisioterapia. Para falar um pouco sobre a área, a matéria de hoje contou com a participação do Dr. Eduéster Lopes Rodrigues, fisioterapeuta do Cruzeiro Esporte Clube de Belo Horizonte.

A&F: O que motivou a escolha da fisioterapia desportiva como área de atuação profissional?

Eduéster: Na verdade, eu entrei na graduação em fisioterapia sem saber o que encontraria e fui descobrir o que era a profissão realmente no decorrer do curso. Eu gostei muito da fisioterapia devido sua relação com esporte. Como sempre fui um aficionado pelo futebol, eu entrei no curso para ser um fisioterapeuta desportivo e trabalhar nesse esporte. Então minha relação com a fisioterapia desportiva passa necessariamente pelo futebol, o carro-chefe dos esportes no país…

A&F: Em que consiste o dia a dia de um profissional que atua num clube de alto nível?

Eduéster: Atuar num clube de alto-nível, como em tudo na vida, tem seus prós e contras. Sofremos uma pressão muito grande por trabalhar num clube com a dimensão do Cruzeiro, mas em contra-partida é algo muito prazeroso. Eu, por exemplo, trabalho no clube do meu coração e isso talvez tire um pouco daquela demanda estritamente profissional; o que não nos exime de grande participação e profissionalismo nas condutas. A rotina diária é pesada, pois temos usualmente uma jornada de trabalho maior do que o a fisioterapia convencional. Temos uma folga de meio-período por semana e geralmente o fisioterapeuta que trabalha no jogo folga no dia seguinte. Quando há treino, todos os fisioterapeutas devem estar presentes; sendo que esse treino não tem hora definida, podendo ser a tarde ou a noite. O que fazemos basicamente é uma atuação preventiva ou curativa nas desordens musculoesqueléticas. No esporte de alto-rendimento temos muitas lesões traumática, agudas… e a função da fisioterapia é, no menor prazo possível, reabilitar o atleta, enquanto que no pós-jogo é atuar para recuperá-los. Hoje a fisioterapia tem importante função nesse período pós-jogo também.

A&F: Como é feita a interação com os demais profissionais da saúde?

Eduéster: Essa interação é realizada de uma forma muito ampla e positiva. Temos acessos aos dados de todos os departamentos- desde dos departamentos de fisiologia e preparação física como também do departamento de análise de desempenho e do departamento médico. Essa interação ocorre por meio de grupos de mensagens em que recebemos relatórios tanto da parte física como da parte tática. Sabemos o quanto determinado atleta correu, a intensidade de seu desgaste… e isso facilita o processo de recuperação ou mesmo de reabilitação desses atletas. Por exemplo, se um atleta tem uma característica de maior velocidade, a preparação informa isso pra gente e podemos adequar a reabilitação para que intercedamos no componente rápido da musculatura. Com a preparação física, nossa interação envolve as partes de recovery e prevenção. Hoje no clube, existe um projeto preventivo onde os atletas encontram-se divididos em quatro grupos: dois grupos ficam por conta da preparação física, enquanto dois ficam na fisioterapia. Este trabalho preventivo é realizado pelo menos uma vez na semana e pode ser individual ou em conjunto.

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A&F: Como lidar na atuação profissional que envolve vários ídolos ou pessoas públicas?

Eduéster: Essa é uma questão muito delicada. Eu particularmente fico muito atento a essas questões e o próprio clube exige profissionalismo e cobra para que não nos envolvamos com os atletas em festas e evento sociais. Também somos orientados a não postar informações nas redes sociais. Eu, por exemplo, fui orientado a sair de vários grupos de torcedores que participava, justamente para haver isenção entre grupos que apoiam ou não a direção do clube. Então, pelo menos nesses aspectos, talvez tenhamos que viver mais o lado profissional do que o lado mais emotivo e passional de um torcedor. O lado positivo seria a visibilidade que lidar com tais atletas proporciona e ainda trabalhar num grande clube de Minas Gerais.

A&F: Qual a dica que daria para estudantes de fisioterapia que visam buscar a área esportiva?

Eduéster: A dica é estudar, perseverar e não desistir. Sempre tive o sonho de trabalhar com a fisioterapia desportiva, especificamente trabalhar no próprio Cruzeiro. Então voltei toda a minha formação para a fisioterapia ortopédica e depois para a desportiva. E trilhei o caminho em busca de ser um profissional do esporte, tendo já definido isso desde a graduação. Foi muito importante porque direcionou minha formação e tive tempo para focar numa área que sabia que atuaria no futuro. Bem, o caminho é longo, os percalços são difíceis mas insistindo e fazendo as coisas certas uma hora a vitória vem!


 

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